A China Three Gorges (CTG), maior acionista da EDP, espera que o Governo elimine, a médio prazo, a contribuição extraordinária sobre o setor energético, anunciada no âmbito do Orçamento do Estado.

A informação foi avançada pelo presidente da CTG, Cao Guangjing, que esteve nos últimos dias em Lisboa, onde participou em encontros com o Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, e o ministro da Energia, Jorge Moreira da Silva.

Cao Guangjing saiu dos encontros «esperançado» de que a taxa extraordinária seja eliminada a médio prazo, afirmou o próprio, num encontro com jornalistas, na terça-feira à noite, em Lisboa.

A CTG, que detém 21,35% do capital da EDP, contestou a aplicação da taxa, tendo enviado uma carta ao vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, sobre este assunto.

O Governo espera obter uma receita de 153 milhões de euros (23 milhões do gás, 91 milhões de euros da eletricidade e 39 milhões do petróleo) com esta contribuição extraordinária, que a EDP estima que tenha um impacto líquido de impostos de cerca de 45 milhões de euros.

A contribuição extraordinária sobre o setor energético incide sobre a produção, transporte ou distribuição de eletricidade; o transporte, distribuição, armazenamento ou comercialização grossista de gás natural; a refinação, tratamento, armazenamento, transporte, distribuição ou comercialização grossista de petróleo e produtos de petróleo.

Quanto ao desempenho da EDP, Cao Guangjing disse que «a performance da EDP é tão boa como» a CTG esperava, mas rejeitou que tal se deva à atual equipa executiva, liderada por António Mexia, que considerou que =está a fazer o seu melhor» e com a qual afirmou estar «satisfeito».

Para o presidente da CTG, o desempenho da EDP está aquém das expectativas por três razões: a diminuição da procura de energia, as alterações no quadro regulatório em Portugal e em Espanha e a criação da contribuição extraordinária sobre o setor energético.

No que respeita à situação económica do país, o presidente da CTG afirma que a «economia está a melhorar», embora reconheça que Portugal «está com algumas dificuldades» e que «a crise não passou».