O secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, acusa o Governo de vender os CTT ¿ Correios de Portugal «em bandeja de ouro», no processo de privatização da empresa.

Para o sindicalista, a privatização dos CTT «não faz sentido», disse o líder da CGTP que falava à Lusa à margem de uma conferência de imprensa, que se realizou esta terça-feira nos Restauradores, em Lisboa.

«Para se encaixar 600 a 700 milhões de euros vai-se entregar em bandeja de ouro uma empresa que faz falta ao país», lamentou.

Na conferência de imprensa, que serviu também para lançar a iniciativa «Onda contra a privatização dos CTT», que se inicia na quarta-feira em Faro e termina a 09 de outubro em Lisboa, no dia Mundial dos Correios, o secretário-geral do Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Correios e das Telecomunicações (SNTCT), Vítor Narciso, considerou que a «privatização prejudica o interesse nacional».

O sindicalista referiu igualmente, à Lusa, que os CTT são «uma empresa lucrativa, pois dão um lucro de 400 milhões de euros há seis anos e presta um serviço universal, portanto não se justifica a sua privatização».

«Entendemos que os CTT devem continuar a ser uma empresa pública ou uma empresa com capitais públicos para prestar o serviço universal de correios com qualidade e também para defender o direito das populações ao correio e salvar os postos de trabalho», salientou.

Além disso, realçou que no prazo de um ano estão em causa 1.000 postos de trabalho com a privatização.

Arménio Carlos, por sua vez, disse, à Lusa, que a pretexto de se conquistar com a privatização 600 a 700 milhões de euros, no espaço de 10 anos ou um pouco mais vão-se perder mil ou mais mil milhões de euros.

Para os sindicalistas, os CTT são uma empresa lucrativa, que presta um «serviço de qualidade» às populações e que o que está também em causa é «o direito das populações ao correio», num país onde a empresa dispõe de uma malha regional, no Continente e na Ilhas, que contribui para a coesão social.

«A Onda contra a privatização dos CTT» vai percorrer as capitais de distrito (Continente e Ilhas da Madeira e dos Açores), realizando encontros de trabalhadores, contactos com a população e reuniões com autarquias.

«Em cada cidade vamos ter a intervenção de pessoas que são influentes e conhecidas na região. Vamos continuar igualmente a recolha do postal. A 09 de outubro, em Lisboa, a iniciativa vai ser maior e vamos entregar um pré-aviso de greve para que os trabalhadores possam concentrar-se nos Restauradores e ir até ao Largo do Camões para entregar no Ministério da Economia uma resolução», disse Vítor Narciso.

No dia seguinte, uma delegação de sindicalistas vai entregar os postais. «Neste momento já temos 25.000 e até ao final do mês serão muitos mais», lembrou o mesmo dirigente sindical, adiantando que estes vão ser entregues ao Presidente da República, Cavaco Silva, à Presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, e a todos os grupos parlamentares.