A Caixa Geral de Depósitos garante que não desistiu de Portugal, apesar de ter vendido a posição que detinha na PT, saindo do capital da operadora, da qual era a terceira maior acionista.

A CGD vendeu esta quinta-feira a sua posição de 6,11% na PT por 190,6 milhões de euros.

O vice-presidente da Caixa, Nuno Fernandes Thomaz, garante que, antes pelo contrário: o banco estatal «aposta ainda mais no país, através da cobertura do core da Caixa e do core do país, que são as PME».

Declarações feitas depois de o presidente executivo da PT, Henrique Granadeiro, ter afirmado, em declarações ao «Jornal de Negócios», sentir-se triste por «ver alguns indivíduos e instituições a desistir de Portugal».

Nuno Fernandes Thomaz falava na cerimónia de entrega dos Prémios Portugal PME, organizado pelo «Jornal de Negócios» e pelo «Correio da Manhã», onde se escusou a comentar a «oportunidade» escolhida pelo banco público para alienar a posição de 6,11% que detém na Portugal Telecom.

De acordo com o «Jornal de Negócios», a administração da Portugal Telecom e o núcleo duro acionista da operadora foram «surpreendidos» pela saída da CGD, tendo a PT, ainda de acordo com o jornal, que não cita fontes, considerado a venda «inoportuna, uma vez que está a ser negociada, neste momento, a fusão entre a empresa portuguesa e a Oi», e suscetível de «enfraquecer a posição portuguesa».

Em comunicado, a Caixa Geral de Depósitos explica que a alienação foi feita «no contexto da estratégia de desinvestimento em ativos não estratégicos».

Numa declaração enviada à Lusa, fonte oficial da CGD esclarece, no entanto, que a saída do banco da PT «acontece só após o anúncio público da sua fusão com a Oi».

«Estamos certos, criará um grande operador de telecomunicações de língua portuguesa, continuando assim o seu caminho de criação de valor», acrescentou.

«Com esta alienação, a CGD dá mais um passo no sentido de, igualmente, cumprir as obrigações que decorrem do memorando de entendimento celebrado entre o Estado Português e a troika, bem como das exigências do seu plano de reestruturação», diz ainda o banco público.

O banco liderado por José de Matos disse ainda que a operação «superou» as suas expectativas ao vender «uma participação relevante com um desconto significativamente menor do que a média do mercado».