O presidente do BPI, Fernando Ulrich, disse hoje que espera devolver este mês os restantes 420 milhões de euros de obrigações subordinadas de conversão contingente (CoCo bonds) subscritas pelo Estado este mês.

«Continuo a acreditar que vamos ter condições para reembolsar os 420 milhões de euros no final do semestre», afirmou Fernando Ulrich, em Leiria, adiantando que decorrem conversas com o Banco de Portugal e foi entregue «informações adicionais» ao regulador.

«Estamos a conversar com o Banco de Portugal sobre isso, como é normal num processo destes, e esperamos que as conversas corram bem, mas à data de hoje não tenho notícias adicionais», adiantou o responsável, acrescentando que o banco tem «estado a fornecer informações adicionais», mas «tudo dentro de um quadro normal neste processo».

Em abril, o BPI anunciou que ia pedir autorização para devolver os restantes 420 milhões de euros de obrigações subordinadas de conversão contingente subscritas pelo Estado, o que, a ser concretizado, significa que deixará de existir qualquer capital público na instituição.

Em comunicado, o BPI informou que «o Conselho de Administração do Banco BPI deliberou solicitar às autoridades competentes um pedido de reembolso da totalidade dos CoCo ainda detidos pelo Estado (420 milhões de euros)».

Desde que, em junho de 2012, o Estado injetou 1.500 milhões de euros no BPI, para o recapitalizar, que o banco tem manifestado pressa em antecipar o pagamento de CoCo já que, além de significarem intervenção estatal na instituição, implicam o pagamento de juros.

Na mesma nota, o BPI diz que, entre janeiro e março, ascendeu a 18,2 milhões de euros o valor gasto com os juros das chamadas CoCo bonds.

Em março, o BPI devolveu ao Estado 500 milhões de euros das CoCo bonds, reduzindo para 420 milhões de euros o empréstimo estatal concedido em 2012, valor que agora quer pagar na totalidade, o que a ser concretizado significa o fim do dinheiro público na instituição, assim como da intervenção estatal.

Na ocasião, o BPI divulgou ainda que, após o reembolso dos 420 milhões de euros, ficará com um rácio de capital Core Tier 1 (medida de solvabilidade de um banco) de 7,4% com todas as regras de Basileia III implementadas, superior ao mínimo de 7% exigido pela Autoridade Bancária Europeia.

O banco refere ainda que ficará com um rácio Core Tier 1 de 11,1% ao abrigo das normas do período de transição para Basileia III, neste caso acima do valor de 8% definido pelo Banco Central Europeu (BCE) no exame aos bancos que está a realizar.

Estes rácios ainda não incorporam as operações de otimização de capital que o BPI quer realizar.