O novo presidente executivo da BlackBerry estabeleceu um prazo de dois anos para reformular a fabricante de smartphones e compensar a quebra da procura com a venda de software que permite a ligação a todo o tipo de dispositivos.

John Chen, que assumiu a presidência executiva em novembro último, está a intensificar a confiança da BlackBerry nos clientes empresariais, em detrimento dos telemóveis inteligentes que tornaram a empresa famosa.

No pior cenário, em que Chen não consiga atingir o objetivo de gerar «cash-flow» no final deste ano fiscal, o gestor disse que terá entre seis a oito trimestres para recuperar das perdas das vendas dos telemóveis através de elevadas margens nas receitas de software.

«Não tenho um plano para deixar os telemóveis, tenho um plano para não ser dependente dos telemóveis», disse John Chen, numa entrevista à Bloomberg.

«Tudo o que preciso é substituir as receitas de telemóveis e a empresa será completamente diferente», acrescentou.

A mudança é a chave para John Chen atingir o seu objetivo e voltar a tornar a BlackBerry rentável.

Chen está outra vez numa corrida contra o tempo, já que as vendas de telemóveis inteligentes continuam a cair (diminuíram 77% no último trimestre), pelo que a aposta agora está na recuperação de receitas a partir da sua unidade de software QNX e das mensagens instantâneas BBM.

Atualmente, a BlackBerry tem uma capitalização bolsista de 4,2 mil milhões de dólares (cerca de três mil milhões de euros).

John Chen herdou uma empresa que já tinha perdido a quota de mercado de smartphones para a Apple e a Samsung, há anos.

No final de 2010, a BlackBerry reclamava uma quota global de telemóveis inteligentes de 19%, segundo a IDC, o que em dezembro de 2013 tinha recuado para 0,6%.