A assembleia-geral do BES correu «bem» disseram aos jornalistas alguns dos presentes na reunião, que garantiram que a sucessão de Ricardo Salgado, que evitou a imprensa, não foi discutida.

No fim do encontro, que durou quase três horas, o presidente do BES, Ricardo Salgado, evitou os jornalistas ao não sair pela porta principal do hotel de Lisboa onde decorreu a assembleia-geral anual, enquanto alguns dos presentes fizeram apenas declarações muito curtas e rápidas.

O administrador executivo do BES Joaquim Goes garantiu que a sucessão de Salgado não foi abordada, uma vez que «não era tema da agenda», e afirmou que a expressividade das votações demonstrou a confiança dos acionistas no Conselho de Administração e órgãos sociais do BES.

«Está tudo calmo, tudo estabilizado», respondeu, quando questionado sobre o ambiente que se vive no banco.

Também Proença de Carvalho, presidente da comissão de vencimentos, disse que a reunião correu normalmente e que a sucessão não esteve em cima da mesa.

«Nesta assembleia não se notou que houvesse qualquer aspeto menos positivo, antes pelo contrário. O Conselho de Administração e os órgãos de fiscalização foram apreciados muito positivamente pelos acionistas com uma votação absolutamente esmagadora», disse, por seu lado, o advogado.

Já Henrique Granadeiro, presidente do Conselho de Administração da Portugal Telecom, não adiantou pormenores.

Um pequeno acionista do BES, detentor de 14 mil ações e que disse à Lusa estar presente em todas as assembleias-gerais, afirmou que a reunião «correu bem» e que a sucessão é assunto para a «família se entender».

Todos os presentes que falaram aos jornalistas preferiram também não comentar a ausência na assembleia-geral de José Maria Ricciardi, presidente do BES Investimento e membro do Conselho de Administração do BES, que estará em viagem a caminho do Dubai.

«Terá de lhe perguntar a ele», comentou o administrador Joaquim Goes.

Na reunião magna, que decorreu hoje depois de dois adiamentos, esteve representado 74% do capital social do banco.

O encontro começou com uma apresentação de mais de uma hora a cargo de Ricardo Salgado e foram depois votados os 8 pontos da ordem de trabalhos, com seis pontos a serem aprovados por quase unanimidade e dois (apreciação dos resultados e consolidação fiscal do BES em Espanha) por 100%.

Os dois pontos relativos às contas do ano passado foram aprovados ambos com 99,84% dos votos. O BES registou em 2013 prejuízos de 517,6 milhões de euros.

A reunião acontece no momento em que o grupo Espírito Santo passa por um processo de transformação, de forma a tornar a estrutura mais simples e responder a recomendações do Banco de Portugal.

Com as alterações, a Rioforte (que detém a área não financeira) deverá passar a ser a "holding" central do grupo, ficando sob a sua alçada a parte financeira do grupo (BES, BES Investimento e seguradora Tranquilidade, hoje na alçada do Espírito Santo Financial Group), assim como as áreas não financeiras.

Já no final de março, numa mensagem aos trabalhadores, o presidente do BES foi mais longe e, após uma notícia do Expresso nesse sentido, disse que a extinção da BESPAR (holding detida pela Espírito Santo Financial Group e pelo francês Crédit Agricole, que controla 35% do BES) será uma «evolução positiva» e que permitirá ao grupo responder «às recomendações da regulação», tornando o BES «mais apetecível».

Na sexta-feira, o semanário Sol noticiou que o Banco de Portugal está a pressionar a saída de Ricardo Salgado da presidência executiva do BES (o mandato atual termina em 2015).

O grupo Espírito Santo viveu, no final do ano passado, uma luta de poder e foram mesmo tornadas públicas as desavenças entre Ricardo Salgado e José Maria Ricciardi, apontado para suceder a Salgado.

A 11 de novembro de 2013, os dois primos emitiram uma declaração conjunta a anunciar um entendimento sobre o processo de sucessão na liderança do grupo.