O Sindicato dos Trabalhadores da Atividade Financeira (SINTAF) e o Sindicato Nacional dos Profissionais de Seguros e Afins (SINAPSA) reuniram-se esta quarta-feira, em Lisboa, devido à situação do Novo Banco e da Tranquilidade, manifestando-se contra a venda destas entidades.

«Com a pressa com que querem vender o Novo Banco, o comprador que aparecer vai ficar com o banco por tuta e meia. Temos receios legítimos de que este processo vai dar em despedimentos», afirmou à agência Lusa Rute Pires, que é membro da comissão de trabalhadores do Novo Banco e do SINTAF.

«Acreditamos na recuperação do Novo Banco e reafirmamos que somos contra qualquer solução que passe pela redução dos quase sete mil postos de trabalho», disse a responsável, considerando que, quer o Novo Banco, quer a Tranquilidade, devem ser mantidos como "empresas autónomas sob controlo público» para continuarem a desenvolver as suas atividades.

Já José Manuel Jorge, que integra a comissão de trabalhadores da Tranquilidade e o SINAPSA, realçou à Lusa que a venda da Tranquilidade ao fundo de private equity norte-americano Apollo, a consumar-se, vai ser feita a "preço de saldo", referindo-se às informações que apontam para que o negócio se concretize por uma verba na ordem dos 200 milhões de euros (50 milhões de euros mais 150 milhões de euros destinados a capitalizar a seguradora).

«Na contabilização da Partran, que detinha a empresa, o valor da Tranquilidade era de 400 milhões de euros», sublinhou, citado pela Lusa.

Segundo o sindicalista, o objetivo do fundo Apollo é «comprar, despedir, retalhar e vender com mais-valias», apontando para a preocupação existente com o futuro dos 1.560 trabalhadores da seguradora.

No final da reunião de hoje, ambas as estruturas sindicais garantiram que vão «defender os postos de trabalho e o respeito pelos acordos coletivos em vigor» no Novo Banco e na Tranquilidade.

As entidades «exigem o apuramento das responsabilidades de todos aqueles (administradores, reguladores e governantes) que levaram à situação que se vive neste grupo financeiro».

E anunciaram a realização de uma «tribuna pública», com a presença do secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, no dia 15 de outubro, entre as 18:00 e as 20:00, junto à sede do Novo Banco, em Lisboa.