O Banco Espírito Santo não declarou empréstimos ao seu acionista Espírito Santo Internacional (ESI), feitos através do Panamá, durante dois anos, escreve o Financial Times.

O jornal britânico coloca o assunto na capa, onde fez uma montagem com a cara de Ricardo Salgado associada a um «ladrão».



Documentos citados pelo jornal levantam novas questões sobre a supervisão do Banco de Portugal, já que esses empréstimos não foram declarados nas contas do BES. O regulador tinha adiantando que detetou «financiamento fraudulento» que envolvia empresas não financeiras do Grupo Espírito Santo, mas desconhecia o esquema de empréstimos feitos através do Panamá, que foram realizados entre 2012 e 2014.

«O Banco de Portugal não aprendeu as lições das anteriores falências bancárias. A supervisão foi demasiado suave. As regras que existem no papel nunca foram efetivamente postas em prática», escreve o FT, citando um banqueiro português sob anonimato.

Estas operações do BES através do Panamá estão a ser investigadas no âmbito da auditoria forense que está a ser realizada pelo banco central.

Recorde-se que esta semana houve mudança de cadeiras no Banco de Portugal , com a nomeação de Hélder Rosalino e António Varela para os cargos de administradores do regulador. Teodora Cardoso cessou o mandato, assim como Silveira Godinho.