O primeiro-ministro não quis comentar a situação do Banco Espírito Santo e a eventualidade do banco necessitar de capitais públicos. Pedro Passos Coelho sublinha que cabe ao Banco de Portugal sugerir a melhor solução, que o Governo acatará, se necessário.

«Não vou tecer nenhum comentário. Estamos a seguir toda essa situação com muita atenção. Esta é uma fase em que o supervisor precisará de monitorizar a situação e propôr o que achar adequado e recomendável», adiantou o chefe do Governo.

«A estabilidade financeira é muito importante para a nossa economia e para o emprego, e não deixaremos de tomar todas as medidas que forem necessárias para garantir essa estabilidade», reforçou Passos Coelho.

O primeiro-ministro admitiu que se for necessário deslocar-se a Lisboa o fará, salientando, no entanto, que o vice-primeiro, Paulo Portas, e a ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, estão a acompanhar a situação do banco, agora liderado pelo economista Vítor Bento.

«Se for preciso regressar a Lisboa, irei com certeza, mas está o senhor vice-primeiro-ministro à frente do Governo nesta altura, ele fará férias quando eu regressar, e a senhora ministra das Finanças também acabou as suas férias e está em posição de poder acompanhar toda esta situação. Se for necessário também não deixarei de me deslocar, mas espero que cada um no seu posto possa fazer aquilo que é preciso se for preciso fazer alguma coisa», concluiu.

O PM entrou de férias esta sexta-feira, mas admite regressar a Lisboa se a situação do BES assim o exigir.

A Comissão de Mercado e Valores Mobiliários decidiu suspender a negociação das ações do BES na tarde desta sexta-feira. As ações encerraram a cair 40,3% para os 0,12 euros e voltaram a provocar uma

hecatombe no PSI-20.

A queda das ações acentuou-se esta tarde, depois da notícia de que o Goldman Sachs deixou de ter uma participação qualificada no capital do banco.

O BES reportou esta semana prejuízos históricos de 3,6 mil milhões de euros no primeiro semestre do ano.

Já esta sexta-feira soube-se que mais de 200 clientes do BES já recorreram à Associação de Defesa de Clientes Bancários (ABESD) por se sentirem lesados e não conseguirem ser reembolsados das suas aplicações.