O presidente do Banco Comercial Português (BCP), Nuno Amado, salientou esta segunda-feira que a incerteza é o pior inimigo das entidades que operam no setor financeiro, desejando que os problemas do Grupo Espírito Santo (GES) sejam rapidamente resolvidos.

BES com 3 mil milhões de prejuízo em 6 meses

BCP sem exposição às holdings do GES sob gestão controlada

«Para o setor financeiro é melhor não haver incertezas, nem turbulências, por isso, quanto mais rápido sejam ultrapassadas, melhor para o banco e para o país», afirmou o responsável, durante a apresentação dos resultados semestrais do BCP.

«Fomos afetados pela turbulência [causada pela sequência de notícias negativas sobre o GES], mas foi durante a colocação do aumento de capital. Obviamente, fomos afetados, mas ultrapassámos e tivemos sucesso na operação», frisou.

E reforçou: «A incerteza tem que ser ultrapassada o mais rápido possível».

Questionado pelos jornalistas sobre como o caso GES pode afetar o sistema financeiro português, Nuno Amado voltou a realçar que «a turbulência tem a ver com incerteza» e que a existência de um nível de incerteza «é sempre mau» para o setor.

«Em simultâneo há o risco de haver destruição de capital, que é mais um problema que pode existir», devido ao caso GES, do qual o Banco Espírito Santo (BES) é o principal ativo, assinalou.

Isto, sem esquecer que os exames do Banco Central Europeu (BCE) à banca «vão ter o seu epílogo em novembro», notou.

Os testes de stress do BCE decorrem numa altura em que «a situação em Portugal que já era stressante», vincou, devido à contração económica do país nos últimos três anos.

Face a tudo isto, Nuno Amado antecipou que «o próximo semestre não vai ser pera doce».