Belmiro de Azevedo deixa esta quinta-feira formalmente a presidência do conselho de administração do grupo Sonae, na data em que está marcada a assembleia-geral de acionistas que deverá eleger o filho, Paulo Azevedo, para o mesmo lugar.

A partir de hoje, o até agora líder da Sonae vai continuar a dedicar-se “ao setor primário em Portugal, incluindo a primeira e segunda transformação de produtos naturais”, como afirmou num discurso realizado a 11 de março, durante uma cerimónia para assinalar os seus 50 anos no grupo.

A atividade agrícola não é estranha a Belmiro de Azevedo, que além do negócio das celuloses, está envolvido no negócio de produção, receção e distribuição de fruta através da empresa Prosa-Produtos e Serviços Agrícolas, com sede em Marco de Canaveses.

Num encontro de produtores de kiwis realizado no final de 2009, onde participou como produtor deste fruto, o gestor mostrava-se convencido de que Portugal “pode produzir muitos mais kiwis do que a Espanha”, avançando com a possibilidade de se formar um ‘cluster’ para esta cultura no noroeste ibérico.

No entanto, Belmiro de Azevedo não tenciona dedicar-se apenas ao setor primário, mas também à educação, através da criação de um novo ‘think tank’, afirmou este responsável na cerimónia realizada em março.

“Estamos a criar um ‘think tank’ de Educação em Portugal, encabeçado pela fundação [Sonae], ao qual dedicarei parte substancial do meu tempo no futuro”, afirmou nessa altura.


Depois de deixar a presidência, Belmiro não se vai todavia afastar de vez dos interesses do grupo Sonae, uma vez que irá manter-se como acionista e também fazer parte de um futuro ‘Global Advisory Board’.

Este novo órgão, que em março estava a ser equacionado, deverá ter como função “apoiar as principais decisões estratégicas do grupo em busca de novos negócios e novas tecnologias, com particular ênfase noutras geografias”.

A saída de Belmiro de Azevedo da administração do grupo foi confirmada no início de março por um comunicado da Sonae aos mercados, no qual a empresa informou que o empresário não se vai candidatar ao conselho de administração da Efanor, a eleger em 30 de abril. A Efanor, ‘holding’ pessoal de Belmiro de Azevedo, detém a maioria do capital da Sonae, Sonae Capital e Sonae Indústria.

“Agora, 50 anos depois, as sementes estão lançadas – as sementes dos negócios, da cultura, da identidade e dos valores”, referiu Belmiro de Azevedo no discurso proferido em março. “Foi neste contexto que tomei a decisão de não me candidatar a integrar nenhum conselho de administração das sociedades cotadas que são participadas pela Efanor”, sublinhou.


O primeiro dia como trabalhador do grupo ocorreu a 02 de janeiro de 1965, quando a Sonae era ainda liderada por Pinto Magalhães.