O Banco Central Europeu (BCE) revela esta quarta-feira quais os bancos, incluindo os portugueses, cujos balanços serão submetidos a testes de stress, bem como a metodologia que servirá de base à reavaliação dos ativos de cada banco.

A informação deverá ser conhecida a meio da manhã, numa conferência em Frankfurt, com o Diretor-geral de Estabilidade Financeira do BCE, Ignazio Angeloni.

Os testes do BCE vão ser levados a cabo no primeiro semestre de 2014 e usam várias simulações de cenários adversos para os bancos, como o aumento do malparado, para detetar falhas de capital.

Os bancos que «chumbarem» estes testes têm de tomar medidas para cobrir as insuficiências que forem detetadas nos seus capitais, de forma a garantir que aguentam eventuais mudanças na conjuntura ou nos mercados.

Isto significa que esses bancos podem ser obrigados a fazer novos aumentos de capital, Nalguns casos, isso pode também implicar que o Estado possa ter de injetar mais dinheiro nos bancos mais frágeis.

Nos últimos anos, a Autoridade Bancária Europeia (EBA na sigla em inglês) levou a cabo vários testes de stress, tendo sido criticada por não ter detetado falhas em bancos que viriam a dar problemas e a precisar de ajudas, como o irlandês Anglo Irish Bank.

Agora, o BCE quer dar credibilidade a estes exercícios e fortalecer o balanço dos bancos da zona euro quando o BCE se prepara para assumir a supervisão direta de muitas instituições. Também no próximo ano, no verão, o fundo europeu de resgate deverá estar preparado para acudir a eventuais necessidades de recapitalização direta.

Em julho, o presidente do Eurogrupo disse que os bancos em dificuldades só podem contar com Bruxelas «em último recurso», sendo primeiro chamados os acionistas.

«Não sabemos qual vai ser a fatura. E temo não ter muito a oferecer. O Eurogrupo garantiu 60 mil milhões de euros ao envelope que o fundo do Mecanismo de Estabilidade Europeu pode consagrar à recapitalização dos bancos. Este número é logo à partida uma mensagem política: só vamos intervir em último recurso», afirmou Jeroen Dijsselbloem.

O Banco de Portugal tem vindo a aumentar as exigências sobre os bancos que supervisiona de modo a estarem mais bem preparados também para testes como estes. Em setembro, o regulador exigiu uma reavaliação dos imóveis em carteira sob pena de serem impostos descontos entre 15% e 60% no valor desses imóveis.