O regulador dos mercados processou o Barclays por alegadamente o banco britânico favorecer os corretores usando dark pool, uma plataforma de negociação que enganava investidores institucionais, revela o Financial Times.

O dark pool permite aos investidores negociarem títulos anonimamente, revelando o valor pelo qual foram adquiridos somente após os negócios estarem concluídos. Este sistema terá sido criado como uma forma dos investidores institucionais executarem grandes compras de títulos, sem se prejudicarem, nem dar a entender ao mercado que havia negociações em curso.

O procurador-geral de Nova Iorque, Eric Schneiderman indicou que o Barclays terá expandido este sistema para locais fora da bolsa «dizendo aos investidores que eles estavam a mergulhar em águas seguras».

A acusação alega que o banco violou o chamado Martin Act, (legislação que dá poderes extraordinários ao procurador-geral no combate à fraude financeira) e está à procura de danos e restituições não declarados.

O banco diz que está a levar o processo «com muita seriedade», acrescentando que irá «cooperar» com a procuradoria-geral de Nova Iorque e conduzirá uma investigação interna.

Um diretor do banco britânico foi demitido e outro renunciou depois do Barclays ter mudado as estatísticas apresentadas a um cliente, que mostrava que 75% dos seus pedidos tinha sido desviados para o dark pool para assim obter o melhor preço de mercado. Já a versão mostrada a um investidor foi mudada para 35%.

O processo é o mais recente revés jurídico do banco britânico, que já esteve envolvido no escândalo de manipulação de taxa Libor e recentemente surgiram alegações de que um dos seus operadores teria manipulado o preço do ouro.