O presidente da AICEP considera que a entrada do Bank of China em Portugal vai trazer concorrência às taxas de juro praticadas na banca, tendo em atenção, no entanto, que essa é uma política que caberá à instituição chinesa.

O estabelecimento do Bank of China em Lisboa permitirá um «enorme avanço para conhecimento das empresas portuguesas e a perceção da qualidade das nossas empresas, da nossa banca e dos nossos balanços», disse Pedro Reis, que falava aos jornalistas à margem da cerimónia de abertura no Centro Cultural de Belém da sucursal da instituição chinesa em Portugal.

Questionado se a entrada do Banco da China poderia baixar as taxas de juro do financiamento às empresas em Portugal, o presidente da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) lembrou, citado pela Lusa, que essa é uma questão que caberá à instituição financeira chinesa, mas alertou que poderá «funcionar como um parceiro para viabilizar operações no estrangeiro», acrescentando que «uma das armas da política internacional da China, e muitíssimo bem, é a capacidade de agregar aos seus projetos um financiamento competitivo».

Já o secretário de Estado da Energia, também presente na cerimónia, afirmou aos jornalistas que a «entrada de diferentes atores é sempre positivo para a concorrência», adiantando que a experiência das privatizações da EDP e da REN é «uma experiência com impacto positivo, uma vez que as empresas portuguesas conseguiram contratos de financiamento com esta instituição de alguns milhares de milhões de euros».

Artur Trindade acrescentou que a presença do Bank of China em Portugal permite «acesso a liquidez e aos principais mercados financeiros do planeta» com o qual Portugal «tem todo o interesse em estar ligado economicamente».

O presidente da AICEP referiu ainda que a entrada do Bank of China é «uma aposta de longo prazo como é timbre da China».

«É um sinal poderoso de quererem entrar e partilhar projetos de investimento, seja em Portugal, seja em países terceiros, seja na própria China, sabendo nós que temos algum estrangulamento financeiro», acrescentou.

Pedro Reis acredita que, seja a participação nas privatizações, seja o investimento chinês em Portugal, seja o investimento partilhado em países terceiros, como o caso da Galp e da Sinopec no Brasil, seja a abertura dos mercados agroalimentares a empresas portuguesas, «faz tudo parte de uma estratégia completamente alinhada entre Portugal e a China que interessa a ambos os lados».

O presidente do Bank of China prometeu, na cerimónia, o empenho da instituição em apoiar a Europa e Portugal a ultrapassar a crise, sublinhando que o banco «vai continuar a seguir uma tendência» de aposta na Europa.

Perante membros do Governo português, os principais banqueiros e gestores nacionais, o presidente do Bank of China, Tian Guoli, anunciou hoje em Lisboa que a presença do banco em Portugal representa uma viragem da China para a Europa, depois de anteriormente ter definido como mercados prioritários os Estados Unidos e o Japão.

«Os investidores chineses olharam durante a última década para os Estados Unidos e Japão, mas agora é a vez de haver mais cooperação com a Europa, nomeadamente com Portugal e países do Sul», disse Tian Guoli.

O Bank of China abriu hoje oficialmente a sua sucursal em Portugal depois de estar envolvido no financiamento às privatizações da EDP e da REN e de ter realizado já empréstimos a estas empresas.