Os acionistas do Banif decidem esta segunda-feira uma operação de troca de obrigações por ações, num montante máximo de 198,9 milhões de euros, naquele que será o quarto aumento de capital dirigido a investidores privados este ano.

A oferta de troca, em que cada ação será emitida a um cêntimo num montante máximo de 198,9 milhões de euros, deverá ser aprovada na reunião geral de acionistas que se realiza no Funchal, escreve a Lusa.

Esta operação será a quarta do processo de capitalização do Banif por investidores privados com vista a reduzir a participação do Estado no banco liderado por Jorge Tomé.

Os prazos acordados entre o Banif e o Estado, tanto para pagar os «CoCo» como para aumentar capital, têm vindo a deslizar em simultâneo com os atrasos verificados em Bruxelas para fechar o plano de reestruturação do banco.

No final de agosto, o Banif pagou ao Estado 150 milhões de euros pelo empréstimo obrigacionista público que deveria ter sido reembolsado até final de junho.

A concretização deste plano está agora prevista para setembro ou outubro depois de, em julho, a Comissão Europeia ter dado luz verde aos planos de restruturação dos outros bancos portugueses recapitalizados com dinheiros públicos - Caixa Geral de Depósitos (CGD), BPI e BCP.

Em janeiro, o Estado injetou 1.100 milhões de euros no Banif, no âmbito do processo de recapitalização, ficando como acionista maioritário do banco. Deste valor, 700 milhões foram em ações e 400 milhões em instrumentos de dívida convertíveis em ações, as chamadas «CoCo bonds», pelas quais o Banif paga um juro anual que começa a 9,5%.

Ainda como contrapartida pela ajuda do Estado, até final de junho, o Banif também ficou obrigado a realizar um aumento de capital de 450 milhões de euros junto de investidores privados. O objetivo é reduzir a participação pública para 60,57% do capital e 49,41% dos direitos de voto do banco.

Até ao momento, o banco arrecadou em aumentos de capital 240,7 milhões de euros, tendo 100 milhões de euros sido subscritos pelos seus principais acionistas (75 milhões de euros da 'holding' Rentipar, através da Açoreana Seguros, e 25 milhões do grupo Auto-Industrial), mais 100 milhões numa operação dirigida a investidores a retalho e ainda 40,7 milhões de euros subscritos por 16 investidores (com destaque para uma empresa brasileira e para o empresário Ilídio Pinho, que injetou 15 milhões de euros).

O Banif, que atualmente é detido em 73,964% pelo Estado - correspondentes a 64,368% dos direitos do voto -, está a 209,3 milhões de euros de sair do controlo público.