O jornal La Voz de Galicia noticiou esta quinta-feira que a banca portuguesa rejeitou uma oferta, por valor não conhecido, de uma «fundo próximo» do grupo espanhol Mercadona para a compra da unidade de aquicultura da Pescanova em Mira, Coimbra, segundo a Lusa.

O jornal adianta, na sua edição de hoje, que o grupo Mercadona tentou entrar no capital da Pescanova «através de Portugal», nomeadamente respondendo à tentativa de venda da Acuinova Actividades Piscícolas, a filial portuguesa daquela firma galega, mas que esta proposta foi rejeitada pela Caixa Geral de Depósitos, BPI, BCP e Novo Banco.

Segundo a notícia, o fundo de capital de risco Atitlan - criado em 2006 para investir e consolidar a rede de fornecedores do grupo Mercadona - fez uma oferta à banca credora que quer recuperar os 100 milhões de euros de dívida da filial portuguesa.

O valor total da oferta não é conhecido, mas fontes financeiras portuguesas citadas pelo jornal galego explicam que «o valor não alcançou as expectativas dos credores financeiros e foi rejeitada».

Fontes do setor explicam ao jornal que o objetivo do grupo Mercadona poderia ser repetir operações idênticas levadas a cabo no passado, como a compra, em 2012, por 50 milhões de euros, da empresa de congelados Caladero.

Mercadona e Pescanova mantém já uma estreita relação comercial, pelo que a operação permitiria não só fortalecer esse aspeto, mas, eventualmente, permitir que a empresa de distribuição entrasse no capital da empresa galega.

Atualmente, três das principais unidades da Pescanova trabalham, de forma quase exclusiva, para o grupo Mercadona: Frivipesca, Frinova e Bajamar.

Enquanto esperam uma oferta adequada, refere o jornal, os bancos credores da unidade de Mira (Caixa Geral de Depósitos, BPI, BCP e Novo Banco) injetaram, em setembro passado, um milhão de euros de crédito circulante, para garantir a atividade da Pescanova.