O crédito concedido pelo setor bancário em Portugal diminuiu pelo terceiro ano consecutivo no ano passado, totalizando os 330,8 mil milhões de euros, menos 13,6 mil milhões de euros do que no final de 2012.

Segundo o boletim estatístico hoje divulgado pelo Banco de Portugal (BdP), este comportamento «traduziu-se em taxas de variação anual sistematicamente negativas durante o ano de 2013».

Ainda assim, de acordo com a informação divulgada, a contração do crédito abrandou no ano passado.

Em dezembro, a taxa de variação anual atingiu -5,6%, representando um aumento de 4,1 pontos percentuais relativamente aos -9,7% registados no período homólogo.

A contração do crédito verificou-se em todos os setores, com o crédito a sociedades não financeiras e o crédito a particulares a diminuir 7,6 e 5,9 mil milhões de euros, respetivamente.

À semelhança de anos anteriores, a redução do crédito a sociedades não financeiras verificou-se, sobretudo, nos empréstimos, que diminuíram 6,1 mil milhões de euros desde o final de 2012.

Em dezembro de 2013, a taxa de variação anual dos empréstimos a sociedades não financeiras fixou-se em -4,7%, representando um aumento de 1,9 pontos percentuais face a 2012 e invertendo a trajetória descendente que este indicador apresentava desde 2008, destaca o BdP.

Ajustada de vendas de carteiras de crédito por parte dos bancos, acrescenta, a taxa de variação anual dos empréstimos a sociedades não financeiras seria de -3% no final de 2013 (contra os -4,3% no final de 2012).

Os empréstimos a particulares, por sua vez, continuaram a diminuir em todas as finalidades, registando quedas de 3,9 mil milhões de euros na habitação, 1,3 mil milhões no consumo e 0,7 mil milhões de euros em outros fins.

Com esta evolução, as taxas de variação mantiveram-se negativas (nos -3,8%, -7,2% e -4,7%, respetivamente).

Em 2013, o crédito ao setor financeiro não monetário manteve-se, por seu turno, praticamente inalterado.

No final do ano, de acordo com os dados do BdP, o crédito às administrações públicas totalizava os 39,9 mil milhões de euros, menos cerca de 0,2 mil milhões de euros do que no final de 2012, num decréscimo verificado essencialmente na componente de empréstimos.