O ministro da Geologia e Minas de Angola, Francisco Queiróz, assumiu esta terça-feira o compromisso angolano de «manter o espírito» do «Processo Kimberley», entidade internacional que tenta travar o negócio dos 'diamantes de sangue', cuja presidência será assumida por Luanda.

A posição foi assumida pelo governante em Guangzhou, na China, no arranque dos trabalhos preparatórios com vista à reunião plenária de sexta-feira, em que Angola assumirá a presidência.

«Angola seguirá o caminho dos que lhe antecederam, em especial os países produtores de diamantes», disse Francisco Queiróz, segundo o discurso proferido em Guangzhou e enviado à Lusa, em Luanda, por aquele ministério.

O «Processo Kimberley» é uma certificação da origem de diamantes, processo produtivo e exportação que pretende travar a negociação de pedras preciosas provenientes de áreas de conflito.

Angola sucede à China na liderança da organização, com o ministro Francisco Queiroz a afirmar-se tratar-se de «uma oportunidade» para o país «dar a conhecer ao mundo a sua experiência na resolução do conflito» que viveu até 2002.

«Os rebeldes utilizavam diamantes para a compra de armas e sustento logístico. Angola resolveu o conflito de acordo com os princípios do 'Processo Kimberley', da Democracia e dos Direitos Humanos», garantiu o governante, na mesma intervenção

Esta certificação foi criada em 2002 (entrou em vigor em 2003), com o apoio da Organização das Nações Unidas, para impedir que o comércio internacional de diamantes em bruto financie guerras, conhecidos por 'diamantes de sangue' pelos conflitos que alimentaram durante décadas em África.

A produção diamantífera é uma das principais fontes de receitas em Angola, depois do petróleo, tendo o Estado arrecadado mais de 52 milhões de euros em impostos diretos sobre estas vendas, entre janeiro e setembro deste ano, indicam dados oficiais.

A produção angolana de diamantes está avaliada em cerca de 8,3 milhões de quilates por ano, correspondendo a uma receita bruta perspetivada na ordem de 1,1 mil milhões de dólares (cerca de 886 milhões de euros).

O Ministério da Geologia e Minas fixou a meta de aumentar a produção total de diamantes até 2015, em termos médios, em cinco por cento ao ano.