O grupo francês Altice conta ter a compra da PT Portugal, detida a 100% pela brasileira Oi, concluída entre abril e junho do próximo ano, adiantou à Lusa fonte ligada à operação.

A fonte próxima da empresa disse que a Altice aguarda agora a decisão dos acionistas da PT SGPS, cuja Assembleia-Geral deverá ser convocada hoje ou na sexta-feira, acreditando que a mesma vai ser favorável ao negócio, já que o feedback por parte da maioria dos acionistas tem sido «positivo».

A Altice aguarda também as necessárias aprovações regulatórias e para tornar o processo mais rápido, o grupo deverá entregar entre hoje e 15 de janeiro a pré-notificação da compra da PT Portugal a Bruxelas, acrescentou a mesma fonte, depois de a Altice ter assinado esta semana o acordo definitivo para a operação com a operadora Oi e que avalia aquele ativo em 7.400 milhões de euros, com 500 milhões de euros em pagamentos diferidos.

Sobre os reguladores portugueses, a mesma fonte afirmou que a Altice «está aberta a quaisquer remédios» que a Concorrência possa impor à empresa, o que poderá passar nomeadamente pela venda da Cabovisão.

A fonte lembrou que a proposta da Altice prevê que investidores portugueses possam ficar com 20% do capital na PT Portugal, afirmando que a Semapa, que integrou o consórcio dos fundos Apax e Bain para a compra do mesmo ativo, é bem vinda.

Da parte dos acionistas da PT SGPS, acrescentou, «há alguma procura» e a Altice dará preferência aos mesmos.

A mesma fonte disse ainda que após a aquisição a equipa de gestão da PT Portugal será mantida, mas acrescentou que terá também «sangue novo», ou seja, mais um ou dois gestores do grupo francês, enquanto o presidente do Conselho de Administração será português.

Quanto ao projeto para a PT Portugal, a fonte disse que o objetivo é trazer a empresa «de volta à liderança», o que inclui mais investimento, na ordem dos 20 a 22%, a proteção da quota de mercado nos segmentos onde já é líder e a conquista do primeiro lugar no segmento da televisão, admitindo como meta os 4 milhões de casas com fibra ótica, ou seja, à frente da NOS.

«A PT Portugal já é uma grande empresa e o grande erro é mexer naquilo que é bom», disse, deixando uma palavra de descanso também aos trabalhadores ao descartar a possibilidade de despedimento em massa.

A mesma fonte afirmou estar «confiante» no sucesso da operação e disse que entre a PT SGPS e a Oi vai haver uma «fusão técnica», da qual resultará a CorpCo, lembrando que o direito de veto da PT SGPS só existe até 31 de março, pelo que em última instância a aquisição da PT Portugal poderá ocorrer mesmo depois disso.