Mais de 80% das cotadas portuguesas obteve um rating igual ou superior a «A» no índice dedicado ao governo da sociedade desenvolvido pela Universidade Católica a pedido da Associação de Empresas Emitentes de Valores Cotados em Mercado (AEM).

Das 43 companhias cotadas em bolsa, 35 empresas obtiveram um rating igual ou superior a «A» em 2012, o que, segundo Abel Ferreira, diretor executivo da AEM, «dá confiança ao mercado sobre as práticas das empresas portuguesas ao nível do corporate governance».

O nível máximo («AAA») foi atribuído a 17 empresas, isto é, quase 40% do universo em questão, ao passo que quatro companhias obtiveram uma nota «AA» e uma a classificação «A».

Esta é a terceira edição do relatório sobre o grau de acolhimento de recomendações relativas ao código do governo societário da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), composto por 54 recomendações, sendo os dados relativos ao ano de 2012.

É de realçar a melhoria existente em 2012 em termos das notas «AAA», quando em comparação com o ano anterior, refere a Lusa.

«Houve uma progressão ao nível do acolhimento das recomendações do supervisor no que toca à governação. Este ano foram as empresas fora do PSI20 que mais contribuíram para a melhoria, até porque as cotadas no principal índice da bolsa portuguesa são as que já têm um maior nível de acolhimento», destacou à agência Lusa Abel Ferreira.

De acordo com um estudo de referência global, produzido pela consultora McKinsey, os investidores estão dispostos a pagar mais 28% pelos títulos de uma empresa com bom governo, estando cada vez mais atentos a este indicador das cotadas.

«Do ponto de visto do investidor internacional este é um estudo único, já que compara o grau de acolhimento das recomendações sobre o bom governo das sociedades a três benchmarks internacionais (as recomendações e regras decorrentes do direito europeu, os princípios da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico, OCDE, e o código de corporate governance do Reino Unido)», realçou Miguel Athayde Marques, um dos membros da equipa interdisciplinar responsável pelo relatório, que conta ainda com Paulo Câmara e Leonor Modesto, entre outros especialistas.

Na última sexta-feira, a CMVM aprovou o novo regulamento sobre o governo das sociedades, que dá maior liberdade às empresas para escolherem sem restrições o seu código de governo.

Na prática, as empresas passam a poder escolher um código de governo societário distinto daquele que está definido pelo supervisor.

O presidente da CMVM, Carlos Tavares, já tinha anunciado a 09 de julho que estava para breve a aprovação deste novo regulamento, que, como o próprio sublinhou, visa promover a «autorregulação», ao mesmo tempo que assegura uma melhor «comparabilidade dos dados».

«A AEM deu uma grande ajuda para a alteração do regulamento sobre o governo societário e o novo código está muito mais em conformidade a realidade portuguesa e ao encontro das necessidades das empresas do que o anterior», destacou Abel Ferreira.

O responsável explicou que a associação que lidera desafiou a Universidade Católica a desenvolver este relatório anual sobre a governação das cotadas porque «as empresas sentiram necessidade de ter um instrumento rigoroso que lhes desse feedback às práticas que regem o governo da sociedade».