Os últimos dias marcaram a estreia do novo governo grego no Eurogrupo. Os próximos também vão estar centrados no futuro da Grécia, que promete fazer «tudo o que puder» para chegar a acordo com a União Europeia, segundo o porta-voz do governo helénico.

«Vamos fazer tudo o que pudermos para que seja alcançado um na segunda-feira», «Se não tivermos um acordo na segunda-feira, acreditamos que há sempre tempo, pelo que isso não será um problema»


Esta sexta-feira será já um dia de preparativos para a reunião extraordinária que vai ocorrer na segunda-feira, o dia crucial. Embora o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, tenha dito, ontem, que  «acabou a troika, acabou o memorando» , as autoridades gregas aceitaram sentar-se com FMI, BCE e Comissão Europeia à mesma mesa. Os assessores do governo helénico recusam, contudo, que Tsipras esteja a voltar atrás. Alegam que o que ele aceitou foi lidar não com a troika, mas com um grupo de trabalho do Eurogrupo, fazendo questão de separar as designações. Essas discussões técnicas arrancaram esta manhã. 

Foi na quinta-feira que se deu o primeiro passo, quando Tsipras e o presidente do Eurogrupo acordaram avançar com uma  base de entendimento para começar as negociações sobre o futuro da Grécia. Atenas mostra-se determinada a que esses esforços não sejam em vão, continua o porta-voz do primeiro-ministro Alexis Tsipras, Gabriel Sakellaridis, que é citado pela Reuters:

«O objetivo é que a equipa de negociação sobre questões técnicas finalize uma proposta que será levado para o grupo de trabalho [criado para o efeito] ao meio-dia de segunda-feira e, em seguida, na parte da tarde, para o Eurogrupo de forma a encontrar uma solução»


Os mercados estão a receber bem essa determinação, com a bolsa de Atenas a disparar 7% esta sexta-feira, puxando pelas restantes praças europeias. O que, segundo o «The Guardian» é como uma tábua de salvação para evitar que Atenas fique sem dinheiro antes de se reunir de novo com os líderes europeus.

Aberta a negociar, a Grécia continua, no entanto, a opor-se à implementação de reformas que intensifiquem a austeridade e enfraqueçam o tecido do Estado social. «O que temos dito é que, até 16 de fevereiro (segunda-feira) queremos chegar a um acordo mutuamente benéfico com os nossos parceiros e estamos a trabalhar nessa direção», explicou o mesmo porta-voz à Skai TV.

Tsipras conheceu pessoalmente a chanceler Angela Merkel e tanto a Grécia como a Alemanha, parecem, agora,  dispostas a ceder em algumas exigências.

Merkel não irá insistir no cumprimento, por parte de Atenas, de todos os aspetos do atual programa de resgate. A revisão em baixa da meta do excedente orçamental primário e também das metas das privatizações poderão estar em cima da mesa. 

Já Tsipras está preparar para assumir o compromisso de um excedente orçamental primário, desde que esteja abaixo da meta da troika de 3% e estará, também, preparado para assumir o compromisso de avançar com as privatizações. 

Ontem, o Banco Central Europeu decidiu aumentar para 65 mil milhões de euros o limite de financiamento para os bancos gregos.

No Eurogrupo de segunda-feira, Portugal também estará na agenda, na sequência do reembolso antecipado que o Governo pretende fazer ao FMI do empréstimo feito em 2011, altura do pedido de resgate. O próprio presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, partilhou os destaques da reunião no Twitter:
 
A ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, vai deslocar-se a Bruxelas com esse propósito e, ao que tudo indica, o pagamento antecipado será mesmo aprovado pelos parceiros europeus.