O coordenador da comissão para uma Política de Natalidade em Portugal considerou hoje que este é um «bom tema» para que políticos e sociedade se reconciliem, pedindo «compromisso social e político» para um país amigo das crianças e família.

Joaquim Azevedo discursava durante a cerimónia de apresentação pública do relatório da comissão independente que coordenou - onde esteve presente o líder do PSD e primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho - e evidenciou «o cansaço e esgotamento a que se chegou e todos os dias se dá a voz ao pessimismo que cresce em torno da política em Portugal».

«A promoção da natalidade é um bom tema para que os políticos e a sociedade portuguesa se possam reconciliar. Isso pode fazer-se por duas vias. Uma é tomando medidas concretas e dando sinais precisos que queremos mesmo um país amigo das crianças, das famílias e da natalidade. E já», defendeu.

Na opinião de Joaquim Azevedo, a segunda via «consiste na criação de condições para estabelecermos um compromisso social e político em torno deste futuro que queremos, este país amigo das crianças, da vida, das famílias e da natalidade».

«A boa notícia é que os casais portugueses querem ter filhos e querem ter mais filhos, é o que sabemos e é o que revelam todos os estudos sobre fecundidade. Só precisamos de remover os obstáculos existentes para que os portugueses possam ter os filhos que desejam», sublinhou.

Na opinião do coordenador, basta não penalizar «estas famílias, como hoje acontece, por exemplo em sede de IRS, na conta da água, no tamanho da casa e no correspondente IMI».

«Estas famílias não precisam de benefícios, precisam que o país as trate com justiça», defendeu.

Na opinião de Joaquim Azevedo, o povo português «reclama ardentemente estes entendimentos nacionais e políticos em torno de problemas tão cadentes como o da Educação e o da Natalidade».

«Afinal quem é que está a andar ao contrário na autoestrada chamada Portugal, como país com futuro e esperança? Depois, não se queixem os dirigentes políticos que os portugueses não votam e se desinteressam da política. Este desinteresse é apenas uma paga», alertou.

O responsável por esta comissão considerou que «seria bom que a lógica da ação política coincidisse com a lógica dos nossos valores e interesses mais profundos».

«Creiam todos os que me ouvem hoje que, no íntimo de cada português, é a pulsão da vida que fala mais alto. Vamos ouvi-la? Vai ouvi-la, Dr. Pedro Passos Coelho. Nós esperamos que sim, eu acredito que sim», concluiu.