O Movimento Não TAP os Olhos, contra a privatização da transportadora aérea portuguesa, e que se apresenta esta quarta-feira no Cinema São Jorge, em Lisboa, admite promover a realização de uma consulta popular.

«Uma das coisas que estamos a pensar fazer é um referendo, que, obviamente, exige 75 mil assinaturas, que achamos que podemos arranjar... mesmo sabendo que o referendo chegaria à Assembleia da República, e a maioria parlamentar iria chumbá-lo», disse à Lusa o cineasta António-Pedro Vasconcelos, impulsionador do movimento.

Segundo o realizador de cinema, «a esmagadora maioria dos portugueses quer que a TAP continue portuguesa».

O Movimento Não TAP os Olhos, que convocou uma manifestação para 31 de janeiro, no aeroporto de Lisboa, nasceu de um manifesto, subscrito por mais de uma centena de personalidades, que entende que a transportadora aérea deve continuar a ser uma empresa de bandeira portuguesa.

Esta quarta-feira a organização exibe, no Cinema São Jorge, o filme "Peço a Palavra", de Frank Capra.

Um ato simbólico, assinala António-Pedro Vasconcelos, para as pessoas «não se deixarem abater, enganar por um discurso, mentiroso, do Governo, que levou à alienação de empresas estratégicas nacionais em condições absolutamente ruinosas, desastrosas e descuidadas».

Para António-Pedro Vasconcelos, «a única arma que pode fazer com que Portugal deixe de ser um país periférico é a língua», sendo os «dois instrumentos ao serviço dessa arma a RTP e a TAP», por ligarem Portugal ao mundo.

Para o cineasta, com a privatização da TAP «é dinheiro que sai de Portugal» para concorrentes estrangeiros.

«É um processo obscuro, as garantias são completamente vagas, não valem nada», sustentou, apontando como uma das mentiras do Governo a impossibilidade de o Estado injetar dinheiro numa «empresa com prestígio internacional, que aparentemente não dá dinheiro, apesar da sua recuperação extraordinária».

«A venda», assinalou, «era apenas uma das hipóteses no memorando da troika» internacional, responsável pela assistência financeira a Portugal.

O filme que é exibido no São Jorge conta, nas palavras de António-Pedro Vasconcelos, «a história de um homem simples, ingénuo, cheio de valores na cabeça» que vai preencher uma vaga no Senado norte-americano, e «é vítima de falsas acusações», mas que resiste para «repor a verdade».

Na sessão são esperados, entre outros, os cantores Carlos do Carmo e Sérgio Godinho, o economista e ex-líder do BE Francisco Louçã, o presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, o histórico socialista Manuel Alegre, o ilustrador Henrique Cayatte, o musicólogo Rui Vieira Nery e o politólogo André Freire.

O Governo aprovou, há cerca de uma semana, o caderno de encargos da privatização da TAP.