«O Banco de Portugal começou a proteger o Banco Espírito Santo. É uma instituição importante para o país e para o mercado financeiro e teve de criar soluções para proteger o BES. As decisões do grupo não eram as do banco. O banco tinha uma administração própria»

«Se [Ricardo Salgado] ficou à frente do banco depois de haver contas falsificadas, tem de ter muita confiança do banco de Portugal para manter idoneidade até lá» 

«Apercebi-me que a base de capital do grupo era reduzida, conforme também houve um aumento de capital em 2011. O GES não nadava em capital, mas isso não quer dizer que o grupo estava falido. Nunca imaginei um buraco desta dimensão» 

A 7 de novembro de 2013, indicou, acordou-se no conselho superior que tinham de avançar mudanças na governance do banco e na sucessão. Perante as contas falsificadas, o problema em Angola «e uma holding que não era operacional e sem contas consolidadas» - a Rio Forte - a nova geração quis ter voto na matéria: 

«Acordámos avançar com uma mudança de governance e convidar o Dr. Ricardo a demitir-se nos cargos. Em todas as empresas tem de haver mudanças. Houve uma geração mais nova que veio para o Banco Espírito Santo e encontrou situações que tinham de ser resolvidas»

Com a confirmação das contas «do contabilista» em outubro de 2013, pela voz do próprio Ricardo Salgado, segundo Pedro Mosqueira indicou aos deputados, confessou que ficou mesmo «assustado» com a situação. Mas «certezas» só as teve já em janeiro de 2014.

«Até lá, como não executivo, as reuniões que tínhamos, que não eram constantes, tive de ter uma certa fé nos números que me eram apresentados. Não estava no dia-a-dia, operacionalmente, no grupo». 

Depois, concluiu: «Não houve transparência para perceber que as contas foram falsificadas. Fiquei um pouco chocado, sim», referindo-se às contas da Espírito Santo Internacional e ao controlo superior do GES, como um todo.