O ministro da Energia, Moreira da Silva, afirmou que a Agência Internacional de Energia (AIE), cujos membros se reuniram durante dois dias em Paris, vai passar a dedicar-se também à segurança energética na área do gás.

Moreira da Silva falou à Lusa a propósito da participação de Portugal na reunião de dois dias da AIE, que juntou os ministros da energia dos países da OCDE e de outros Estados num encontro em Paris, três dias depois dos atentados à capital francesa e duas semanas antes da Cimeira sobre Alterações Climáticas (COP21), que decorrerá também naquela cidade.

Sublinhando que a AIE nasceu há cerca de 40 anos "com uma preocupação relacionada com a volatilidade dos preços do petróleo", Moreira da Silva revelou que a agência "assumiu hoje o objetivo de não se dedicar apenas, no que diz respeito à segurança energética, a medidas de coordenação na área do petróleo, mas também na área do gás".

"Todos ficaremos a ganhar com esta evolução, em especial porque as descobertas de gás que têm vindo a ser realizadas e o desenvolvimento do mercado de gás natural liquefeito posiciona a Península Ibérica como uma porta de entrada adicional para fornecimento de gás na União Europeia, beneficiando do terminal de Sines", explicou.

O ministro português adiantou que, além dos membros efetivos da AIE, decidiu-se "alargar a agência a países associados que não fazem parte da OCDE", pelo que, "além do México, que já estava previsto, também a China e a Indonésia" deverão passar a integrar esta organização.

Moreira da Silva indicou que também o Brasil, a Índia, a África do Sul, Marrocos e a Tailândia anunciaram hoje a sua intenção de integrar a AIE.

Quanto à reunião COP21, que começa em Paris a 30 de novembro e que se prolonga até 10 de dezembro, o ministro disse que a AIE apelou a que haja um "acordo ambicioso, custo eficiente, inclusivo e abrangente".

De acordo com o governante, desta reunião ministerial resultou "um apelo e uma manifestação de confiança quanto ao êxito da cimeira de Paris" sobre as alterações climáticas.

"O combate às alterações climáticas é urgente, mas também é gerível, viável e custo eficiente. Temos todas as informações de que necessitamos quanto às consequências das alterações climáticas, mas também quanto as oportunidades económicas e de criação de emprego associadas a uma transição para baixo carbono", defendeu Moreira da Silva.

O ministro adiantou que, segundo a partilha de informação entre os 40 países que participaram na reunião, "só em 2014, instalaram-se 130 gigawatts de potência renovável com um investimento de 13 mil milhões de dólares".

Para Moreira da Silva, estes números "devem ser lidos também num contexto de redução de custos", já que, entre 2009, quando ocorreu a última cimeira, a de Copenhaga, até 2014, "os custos das tecnologias energéticas limpas desceram de uma forma significativa".

"As lâmpadas LED viram o seu custo reduzido em 90%, as baterias em 70%, a tecnologia fotovoltaica em 60% e a tecnologia eólica em 40%", adiantou o governante.