O ministro do Ambiente, Jorge Moreira da Silva, diz que é «muito sensato» não fazer comentários públicos durante as visitas da missão técnica da troika a Portugal para avaliar o programa de ajustamento português. O governante diz que os comentários podem perturbar as discussões em curso.

Moreira da Silva falava em Bruxelas, à saída da sede da Comissão Europeia, onde se reuniu com vários comissários. Questionado pelos jornalistas sobre as críticas do próprio PSD à postura do Fundo Monetário Internacional (FMI) nas negociações, o ministro, que é também vice-presidente do PSD, escusou-se a tecer comentários enquanto a missão da troika estiver em Lisboa.

«Não falo sobre a troika durante as avaliações. Há um hábito que me parece muito sensato, que é: enquanto estamos nestas discussões sobre a avaliação por parte da troika, é preferível não haver um nível de comunicação pública muito elevado, na medida em que estão a ser discutidas várias matérias com as três instituições».

«Portanto, seguirei essa regra que é: enquanto estivermos a discutir com a troika, como estamos, e eu próprio estive durante esta semana, não vou fazer nenhum comentário que perturbe ou que prejudique essa discussão. No final dessa avaliação, poderei dar nota do seu impacto no nosso ministério. Até lá, não quero fazer nenhum comentário», concluiu o ministro do Ambiente, Ordenamento do Território e Energia.

Na véspera, o porta-voz do PSD, Marco António Costa, afirmara que o FMI faz «proclamações muito piedosas em relatórios», mas tem sido «inflexível» nas negociações, após aquela instituição ter declarado que os países devem ter «limites de velocidade» e evitar reduzir os défices orçamentais demasiado depressa, mesmo quando estão sob pressão dos investidores por terem uma dívida elevada.

O próprio ministro da Economia, António Pires de Lima, disse ontem que é preciso que os discursos dos credores internacionais sejam coerentes e que aquilo que defendem nos relatórios seja aplicado na prática.