O ministro do Ambiente, Ordenamento do Território e Energia, Jorge Moreira da Silva, admitiu hoje, no parlamento, a possibilidade de virem a ser definidos preços de referência para o gás de botija.

O ministro, que falava na comissão parlamentar de Economia e Obras Públicas, recordou que o Governo tem o compromisso de, no âmbito do Orçamento do Estado, apresentar, até março, um estudo comparativo entre o gás natural e o gás de botija.

«Se o estudo comprovar uma discrepância de preços, admitimos que se possa, no âmbito das novas competências da Entidade Nacional do Mercado de Combustíveis, avançar para a definição de preços de referência», avançou Jorge Moreira da Silva.

O ministro disse que o Governo entende ser importante «harmonizar as especificações técnicas relativamente ao gás de botija entre Portugal e o padrão europeu».

O gás de botija é mais caro do que o gás natural.

A 28 de maio, a DECO denunciou, na sequência de um estudo, a existência de uma «estranha harmonização» de preços de botijas de gás, apontando que, em muitas cidades, a diferença entre as mais caras e as mais baratas é inferior a um euro.

Os técnicos da revista Proteste analisaram os preços do gás de botija em 18 capitais de distrito e no Funchal, concluindo que em cerca de metade das cidades a diferença entre os preços mínimos e máximos é inferior a um euro.

Os técnicos compararam também o custo do gás natural e do gás butano na mesma unidade de energia (kWh) e concluíram que, na última década, o gás butano tem sido mais penalizado.

«Em 2012, custava quase o dobro do gás natural. Os consumidores de gás butano são, assim, duplamente prejudicados», conclui a associação.