O ministro do Ambiente, Jorge Moreira da Silva, fez esta quarta-feira um «balanço muito positivo» do primeiro mês da entrada em vigor da taxa sobre os sacos plásticos leves, que levou os cidadãos a «mudar de vida» e a reduzir a sua utilização.

«Os cidadãos mostraram em muito poucas semanas que eram sensíveis ao sinal de preço e que não estiveram numa lógica de queixume ou contestação, mudaram de vida», frisou o ministro do Ambiente, Ordenamento do Território e Energia à margem de uma sessão temática sobre o POSEUR (Programa Operacional de Sustentabilidade e Eficiência no Uso dos Recursos)

Para Moreira da Silva «o balanço [da medida] é muito positivo, basta visitar os supermercados para verificar que na prática se assiste àquilo que o Governo sempre disse que iria acontecer», ou seja, uma «enorme» redução do consumo dos sacos plásticos leves.

«Nós apontávamos para que se passasse de 466 para 50 sacos plásticos por habitante por ano num só ano, e este é um valor mais ambicioso que qualquer país europeu (…), mas na prática isso está a acontecer», frisou o ministro.

O governante assinalou que «os dois resultados práticos» da medida estão a «ocorrer em linha com o objetivo» do governo e que, não só «as pessoas estão a levar de casa os sacos onde acondicionam as suas compras», mas também «existe uma oferta muito maior de sacos do lixo nas prateleiras dos supermercados».

Jorge Moreira da Silva aproveitou para «explicar às pessoas» que o governo decidiu tributar os sacos mais leves «porque mais do que um problema que resulta do seu material, têm um problema que resulta da fragmentação desse material e da quase permanência no planeta».

Já os sacos mais espessos «não são tributados nem em Portugal nem nos outros países europeus porque não só podem ser reutilizados mas também, quando são depositados num aterro ou estação de resíduos, são facilmente separáveis porque não se fragmentam».

«No entanto (…) os cidadãos não estão a optar nem por uns nem por outros, perante a opção de pagar 10 cêntimos por sacos leves ou 10 cêntimos por sacos mais espessos não optam, em regra, nem por uns nem por outros, levam os seus sacos de casa», destacou o ministro para quem «os consumidores portugueses deram uma grande lição a muitos políticos, organizações e líderes de opinião que tinham no preconceito a principal razão para a contestação a esta reforma».

O POSEUR, um dos 16 programas criados para a operacionalização da estratégia Portugal 2020, dispõe de 2,25 mil milhões de euros direcionados para três eixos prioritários de investimento: redução de emissões de carbono (com 757 milhões), adaptação às alterações climáticas (401 milhões) e proteção do ambiente e promoção de eficiência dos recursos (1.045 milhões).