A agência de notação financeira Moody¿s considera que a quebra no tráfego nas autoestradas com portagens vai manter-se este ano nos países periféricos da Europa, entre os quais Portugal e Espanha.

«Esperamos a queda de tráfego em 2013 nas redes com portagens nas economias da periferia da Europa devido aos orçamentos domésticos restritivos, num ambiente de elevada taxa de desemprego, e com rotas alternativas», referem os analistas da Moody¿s, numa nota a que a Lusa teve hoje acesso.

Estas rotas alternativas, «como é o caso de países como Espanha e Portugal, incluem estradas gratuitas ou a cobrança de taxas mais baixas», adiantam.

A Moody¿s atribui uma notação negativa ao declínio do volume de tráfego nas autoestradas com portagem na periferia da Europa Ocidental.

Os analistas recordam que o tráfego está em queda desde o ano passado e dão o exemplo do desempenho das várias redes rodoviárias na Europa este ano.

A italiana Atlantia (notação Baa1 negativa) anunciou que o tráfego nas autoestradas concessionadas no seu país caiu 2,6% no primeiro semestre deste ano, depois de um recuo de 8,0% nos primeiros seis meses de 2012.

A outra rede concessionária italiana, a SIAS - Società Iniziative Autostradali e Servizi (notação Baa2 negativa) também anunciou uma quebra, de 4,3% no semestre, face a um recuo anterior de 8,1% em igual período.

Também a portuguesa Brisa Concessão Rodoviária (notação Ba2 negativa) registou a mesma tendência, com uma quebra de 6,3% no primeiro semestre deste ano, após uma queda de 15,3% em igual período de 2012.

A espanhola Abertis registou um recuo de 9,0% no volume de tráfego doméstico da sua rede entre janeiro e junho, o que compara com uma quebra de 9,1% nos primeiros seis meses de 2012.

Segundo a Moody¿s, as autoestradas com cobrança tiveram um melhor desempenho em outras partes da Europa, com o caso da França a beneficiar da diversificação do tráfego devido às várias ligações existentes no país.

A ASF - Autoroutes du Sud de la France (Baa1, estável) registou um aumento do volume do tráfego de 0,7% no primeiro semestre, contra uma quebra de 1,2% um ano antes, enquanto a Societe des Autoroutes Paris-Rihn-Rhone-APRR (Baa3, estável) registou uma subida de 0,2%, o que compara com um recuo de 1,6% nos primeiros seis meses de 2012.

Entre os concessionários franceses, apenas a Sanef (Baa1, negativo) registou uma diminuição no tráfego no semestre, de 1,3%, face a uma quebra de 2,9% na primeira metade de 2012.

De acordo com os analistas da Moddy's, o impacto das medidas de austeridade na atividade económica e no consumo é o principal motor do declínio do volume de tráfego nas autoestradas com portagens na periferia da Europa.

«Os declínios nos volumes de tráfego na Europa, Espanha e Itália têm sido significativamente maiores do que a contração do PIB», isto porque os orçamentos restritivos das famílias levam a que estas deixem de utilizar autoestradas com portagens.

Desde o início da crise financeira global, em 2007, as maiores redes de autoestradas cobradas em Itália perderam em média 10% do volume de tráfego, enquanto a Brisa Concessão Rodoviária e a espanhola Abertis registaram, cada uma, um declínio de cerca de 30%, de acordo com a Moody¿s.