O provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) afirmou esta segunda-feira que a instituição, se entrar no capital da Caixa Económica Montepio Geral (CEMG), não avançará “sozinha”, indicando que várias Misericórdias têm manifestado interesse em investir.

Uma das condições que estava colocada em cima da mesa desde o início é que a Misericórdia de Lisboa, a entrar, não entrasse sozinha, mas entrasse em conjunto com outras entidades do setor social, e várias [Misericórdias] têm manifestado junto da Associação Mutualista [Montepio] a vontade de se associar a esse movimento, naturalmente com vínculos e intensidades financeiras diferentes, de acordo com aquilo que são as disponibilidades de cada Misericórdia”, declarou aos jornalistas o provedor da SCML, Edmundo Martinho.

À margem de uma cerimónia com outras Misericórdias do país, que decorreu em Lisboa, o provedor da SCML disse ainda que há “muitas instituições, quer Misericórdias, quer associações mutualistas, que estão disponíveis para entrar e que estão a aguardar que a Santa Casa Misericórdia de Lisboa tome a sua decisão" para que possam avançar em conjunto, “se for essa a decisão final”.

Questionado sobre se é a SCML quem tem a total responsabilidade de decisão, Edmundo Martinho assegurou que “cada Misericórdia tem a obrigação e a responsabilidade estatutária de decidir aquilo que deve fazer em relação às disponibilidades que tem”.

No caso da Misericórdia de Lisboa, naturalmente cabe à mesa da Santa Casa de Lisboa tomar essa decisão. No que diz respeito às outras Misericórdias, caberá às respetivas administrações essa responsabilidade”, frisou o provedor da SCML.

Estudo em curso

Sobre a importância de conhecer os resultados consolidados do Montepio antes de tomar uma decisão, o dirigente da Misericórdia de Lisboa lembrou que está a ser desenvolvido um estudo, por uma entidade financeira autónoma e independente, que ajudará a tomar a decisão.

Esse estudo é feito com base naquilo que são os elementos que estão disponíveis da Caixa Económica Montepio Geral e todos os elementos que estão a ser consultados e que nos permitirão seguramente tomar uma decisão. Os indicadores que existem, que estão disponíveis, são fiáveis para tomar uma decisão, seja ela qual for, portanto estamos em crer que até ao final do mês consigamos estar em condições para poder tomar uma decisão”, adiantou Edmundo Martinho.

A 7 de janeiro, em entrevista à rádio Antena 1, o ministro do Trabalho disse ter sido ideia do ex-provedor da SCML Pedro Santana Lopes o envolvimento da Santa Casa no setor financeiro, enquanto a hipótese de investimento no Montepio foi colocada pelo Governo.

Quanto a críticas feitas ao envolvimento do setor social no financeiro, Vieira da Silva falou em “profundo desconhecimento da realidade”, porque em “toda a Europa existem instituições financeiras do setor social”.

A CEMG, detida na totalidade pela Associação Mutualista Montepio Geral, está num período de mudança dos estatutos e mesmo da sua equipa de gestão, tendo a Associação Mutualista anunciado a entrada de Nuno Mota Pinto para presidente do banco, lugar ainda ocupado por Félix Morgado.

À espera do Banco de Portugal

Por seu turno, o presidente da União das Misericórdias Portuguesas (UMP) defendeu uma tomada de posição do Banco de Portugal sobre a entrada de entidades do setor social no capital da Caixa Económica Montepio Geral (CEMG).

A existência de um banco de economia social é uma velha ambição de todo o setor social e solidário”, declarou aos jornalistas o presidente da UMP, Manuel de Lemos, à margem de uma cerimónia com várias Misericórdias do país, que decorreu em Lisboa.

Na perspetiva do representante das Misericórdias, a decisão de entrar no Montepio tem que “ter por base estudos sérios, concretos e seguros”.

Quando nos foi posta a hipótese de começarmos a dar passos no sentido de criar um banco de economia social em Portugal, naturalmente, que nós manifestamos a disponibilidade para isso”, afirmou Manuel de Lemos, explicando que está à espera do resultado dos estudos para tomar uma decisão.

Além dos estudos, o presidente da UMP propôs que “o Banco de Portugal tome uma posição sobre essa matéria”.

Questionado sobre se faz sentido as Misericórdias investirem no setor financeiro, tendo em conta que é um setor tão volátil, Manuel de Lemos lembrou que “hoje o maior banco dos Açores é a Caixa Económica da Santa Casa da Misericórdia de Angra do Heroísmo”.