A exploração de gás natural na província de Cabo Delgado, em Moçambique, «é o maior projeto de gás do mundo em [fase de] gestação», afirmou esta quarta-feira o presidente da Galp Energia, Manuel Ferreira de Oliveira, em Lisboa.

«Em Moçambique existe gás no centro do país, numa quantidade relativamente pequena, mas, quando falamos no projeto de gás de Moçambique, falamos na província de Cabo Delgado, na bacia do rio Rovuma, onde, nos últimos anos, se fizeram as maiores descobertas de gás do mundo», declarou Ferreira de Oliveira.


O presidente da Galp Energia falou à agência Lusa antes do início da palestra «Oportunidades de negócio decorrentes das descobertas de O&G [sigla inglesa para petróleo e gás] na CPLP», organizada no auditório da Auditório da SRS Advogados pelo Fórum de Administradores de Empresas no âmbito da iniciativa «Encontros de Gestores».

De acordo com o responsável, «o projeto está a andar e há, atualmente, 11 empresas envolvidas naquele que é o maior projeto de gás do mundo em [fase de] gestação».

«As decisões finais de investimento serão tomadas no decorrer deste ano e início do próximo», mas «os concursos para adjudicação de trabalhos estão abertos e há, neste momento, um conjunto de consórcios preparados para executar os projetos que foram elaborados.»


Segundo o líder da Galp Energia, «a fase de exploração, isto é, de identificação de recursos gasíferos, está completa, pelo que as principais empresas operadoras e os diferentes consórcios conhecem os reservatórios e a dimensão das reservas que ali se encontram».

«Estamos agora à espera que esses concursos fechem e teremos então a chamada decisão final de investimento. Só depois haverá datas precisas para a altura em que teremos o primeiro gás [natural] em Moçambique.»


O responsável falou ainda sobre o petróleo em Angola, «o segundo maior produtor de crude de África, mas que tem poucas reservas, o que quer dizer que está a esgotar as suas reservas a uma taxa superior à taxa média» do continente africano.

«Angola é muito prudente na libertação de áreas de concessão e fá-las muito caras», pelo que «é lenta na incorporação de reservas» mas, como o que conta para o posicionamento do país no mundo não é o que produz mas o que exporta, «Angola é crescentemente exportadora e será o número um exportador de África».

Numa comparação/síntese entre vários países da Lusofonia, Manuel Ferreira de Oliveira assinalou que, «em termos petrolíferos, Angola é um país maduro, tem já infraestrutura instalada, tem grandes empresas, sendo mais difícil ali entrar porque há muitas empresas estabelecidas».

Quanto ao Brasil, «é uma grande economia, onde estão todos neste momento, pois não há uma empresa que se qualifique como prestando grande serviço de O&G que não esteja lá».

Por seu lado, Moçambique é um país que «está a começar», que representa «uma oportunidade gigante e precisa que o ajudem a crescer», sendo, das várias hipóteses, «a que está mais ao alcance» da Galp.

Já a Guiné-Bissau «tem todas as condições para ter oportunidades de exploração petrolífera no seu ‘offshore’ e a Galp já fez estudos geológicos básicos», afirmou, acrescentando que, embora não haja «legislação estável que permita que se aprofundem os trabalhos», perfurações realizadas no ‘offshore’ guineense revelam «potencial petrolífero, ainda que isso não queira dizer que existe petróleo».