O Banco Mundial anunciou esta terça-feira um crédito de 133,4 milhões de euros para a implementação de um projeto de aumento do acesso a água potável a 100 mil famílias residentes na área urbana da capital moçambicana, Maputo.

O fundo disponibilizado pela Associação Internacional para o Desenvolvimento (AID), do Banco Mundial, e aprovado pelo Conselho de Diretores Executivos da instituição financeira, visa apoiar um Projeto de Expansão do Abastecimento de Água na chamada área de Grande Maputo.

A verba vai permitir construir uma estação de tratamento de água com capacidade para 60 mil metros cúbicos de água por dia, que será captada na barragem de Corumana, apoiar a construção de 93 quilómetros de condutas de transmissão, com uma capacidade de 120 mil metros cúbicos de água por dia, bem como edificar reservatórios e estações de bombagem.

Em comunicado hoje enviado à Lusa, o diretor do Banco Mundial para Moçambique, Clarence Clarke, considera que «o Governo de Moçambique tem feito bons progressos na construção de um sistema sustentável de água, para facultar acesso a água potável a muitas famílias, nas suas áreas urbanas, em rápida expansão».

Recentemente, as autoridades moçambicanas atualizaram a Estratégia Nacional de Abastecimento Urbano de Água e Saneamento, projeto governamental de melhoria do acesso à água e sua utilização, que permitirá ter um saneamento seguro no país, visando dar corpo ao terceiro pilar do Plano de Ação para a Redução da Pobreza (PARP 2011-2014).

O diretor para o Desenvolvimento Sustentável do Banco Mundial na Região de África, Jamal Saghir, justificou o crédito com o facto de «Moçambique estar exposto a periódicos ciclones tropicais durante os meses de verão, que frequentemente inundam o sistema de captação e de tratamento de águas da rede existente».

«Este projeto apoiará a criação de um sistema de abastecimento de água resistente a condições climáticas e que trará água limpa, própria para beber, cozinhar e para limpeza, às famílias da área do Grande Maputo», afirmou Jamal Saghir.

O responsável da equipa executiva do projeto, Luiz Cláudio Martins Tavares, estimou que «cerca de 17 por cento das mortes de crianças com menos de cinco anos, em Moçambique, são resultado de doenças diarreicas, causadas, sobretudo, pela má qualidade da água e saneamento».

Por isso, «os fundos aprovados vão levar água limpa, tratada, diretamente a lares na área do Grande Maputo, dando às famílias uma oportunidade de melhor saúde, e mais tempo livre, em cada dia, para as tão sobrecarregadas mulheres e raparigas», algumas das quais dedicam grande parte do seu dia a ir buscar água para as famílias em fontanários e poços, concluiu Luiz Tavares.