O presidente da Comissão Executiva do BIC Portugal, Mira Amaral, considerou esta segunda-feira que o «fim da recessão técnica é bom» mas pediu «cautela e realismo», rejeitando «euforias», e reiterou a necessidade de um programa cautelar.

À margem da abertura de uma nova agência da instituição bancária, no Porto, Mira Amaral foi questionado pelos jornalistas sobre os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) hoje conhecidos.

«É positivo mas é bom que os portugueses não tenham ilusões. Nós, mesmo que a troika saia do país, vamos continuar sujeitos a condicionalidades macroeconómicas. Portanto, nada de euforias, nada de perdermos a cabeça», afirmou, citado pela Lusa.

O ex-ministro considera «bom» o «fim da recessão técnica» mas deixa uma palavra de «cautela e realismo» já que «os problemas não estão resolvidos na economia portuguesa».

«É só essa chamada de atenção que quero fazer: não embandeiremos em arco e também, mesmo que as coisas sejam resolvidas, é bom que tenham consciência que nunca voltaremos à era do dinheiro fácil que tivemos antes da crise económico-financeira», alertou o gestor.

Mira Amaral disse ainda estar «convencido» que Portugal vai «precisar de um programa cautelar, que é melhor do que ter a troika, que é mais suave», mas que significa que o país vai «continuar a ter restrições macroeconómicas».

«A situação está melhor do que estava, mas não quero esconder que o Orçamento do Estado para 2014 obviamente tem um pacote restritivo ainda, de cortes de despesa pública, que é restritivo e recessivo para a economia», afirmou.

O presidente da Comissão Executiva do BIC Portugal explicou que as condicionalidades macroeconómicas impostas por Bruxelas vão continuar mesmo que a troika deixe o país, já que Portugal ainda tem níveis de dívida pública muito elevados e os níveis de défices públicos também não são aqueles que devia ter.

«Nós nunca mais voltaremos a ter as facilidades que tínhamos antes da crise financeira», avisou.

O Instituto Nacional de Estatística (INE) confirmou hoje as previsões para a economia portuguesa no terceiro trimestre, apontando para um crescimento de 0,2% face ao trimestre anterior e uma queda de 1% face ao mesmo trimestre de 2012.