O presidente do Banco BIC, Luís Mira Amaral, mostrou-se sexta-feira à noite preocupado com a baixa rendibilidade para os acionistas da banca portuguesa, apesar de a maioria ter passado nos testes de stress do Banco Central Europeu (BCE).

«A banca passou nos testes de stress, o que significa que terá estruturas de capital que permitem suportar situações adversas, mas vai continuar a ter uma rendibilidade muito baixa para os acionistas», afirmou.

O banqueiro realçou que o problema é a «rendibilidade do capital empatado dos bancos», assinalando que, «numa economia de mercado, os acionistas gostavam de ter uma rendibilidade aceitável e na banca portuguesa não estão a ter».

«Eu estou no Banco BIC português e a dimensão do meu ativo é muito idêntica à do BIC Angola. O Banco BIC Angola ganhou, em 2013, 200 milhões de dólares e eu ganhei em Portugal, e foi uma festa, 2,5 milhões de euros», exemplificou.

O presidente do Banco BIC e antigo ministro social-democrata falava à agência Lusa à margem da 13.ª Gala dos Prémios da Revista Mais Alentejo, que decorreu no Teatro Pax Julia, em Beja, onde foi uma das personalidades agraciadas.

Sobre os testes de stress do BCE, Mira Amaral disse que os anteriores «não foram muito credíveis», já que «todos os bancos passaram, com distinção e louvor, mas houve uma série de bancos irlandeses e outros que estoiraram».

«O BCE tomou boa nota disto e acho que, desta vez, os testes foram mais rigorosos e credíveis», afirmou, considerando que, nos primeiros testes de stress, “houve muito marketing e pouco stress”.

Questionado sobre o chumbo do BCP no cenário mais adverso dos testes, o presidente do Banco BIC referiu que o banco «está no bom caminho», porque o problema que tinha «está corrigido».

«O BCP já tomou medidas corretoras e, portanto, acho que está numa excelente recuperação, depois de uma situação muito difícil, herdada de Jardim Gonçalves e Paulo Teixeira Pinto», considerou, acrescentando que, «se os testes fossem feitos hoje, o BCP passava».

O BCP foi o único dos três bancos portugueses que chumbou no cenário mais adverso dos testes de stress conduzidos pelo Banco Central Europeu e pela Autoridade Bancária Europeia, enquanto a CGD e o BPI tiveram nota positiva.