O que está em causa com as novas tabelas da ADSE “não se aplica” aos médicos dentistas, esclareceu este sábado o ministro da Saúde. Adalberto Campos Fernandes diz “distinguir bem o tipo de reações” das ordens profissionais e sindicatos, com quem pretende manter diálogo.

“A responsabilidade da ADSE é garantir a defesa dos beneficiários e não garantir que está ao serviço de benefícios e rendas inapropriados. Não podemos acompanhar reações que são de outro tipo. Há demasiado tempo que a ADSE gasta mal dinheiro que devia gastar bem a cuidar de quem está doente e precisa”

Adalberto Campos Fernandes atribuiu a “um mal entendido” a reação da Ordem dos Médicos Dentistas, que exigiu a suspensão da nova tabela.

À margem do encerramento do 8.º Encontro Nacional das Unidades de Saúde Familiar, o governante revelou ter dado instruções ao diretor geral da ADSE para reunir com o respetivo bastonário “para esclarecer que o que está em causa não se aplica à tabela dos médicos dentistas”.

"Um abuso"

A presidente da Associação de Pensionistas e Reformados (APRe!) considera que as alterações nas tabelas da ADSE são “um abuso” na gestão de uma entidade “totalmente sustentada” pelos trabalhadores da função pública e aposentados.

Maria do Rosário Gama condenou, em declarações à Lusa, que estas mudanças estão a ser feitas sem negociação prévia com os funcionários públicos e os aposentados.

“A ADSE é totalmente sustentada, desde 2014, pelos seus subscritores, que deveriam ter uma palavra a dizer numa negociação prévia a qualquer alteração” 

Também o Sindicatos dos Quadros Técnicos do Estado manifestou “profunda estupefação” com as anunciadas alterações nas tabelas da ADSE, porque “nada foi negociado com as organizações que representam trabalhadores e aposentados”.

Segundo a ADSE, a nova tabela traduz-se numa redução de quatro milhões de euros para este subsistema de saúde da função pública e de um milhão para os beneficiários.