O ministro da Economia convidou esta quarta-feira o PSD para um consenso sobre recapitalização das empresas. Os sociais-democratas responderam com ironia ao ministro Caldeira Cabral, dizendo que este precisa de ajuda. E o PCP, por sua vez,alertou para "armadilhas".

Em plenário, na Assembleia da República, durante a apresentação do Programa Nacional de Reformas, o titular da pasta da Economia considerou que as 30 medidas agora divulgadas pelo PSD sobre recapitalização de empresas estão globalmente "alinhadas" com a estratégia do Governo.

Nesse sentido, Caldeira Cabral disse que o Governo estava empenhado num diálogo com os sociais-democratas e que os membros da estrutura de missão nomeada pelo executivo para a recapitalização das empresas se encontrariam plenamente disponíveis para conversarem com representantes do PSD.

Logo a seguir, o presidente do Grupo Parlamentar do PSD, Luís Montenegro, aceitou o convite para o diálogo feito pelo ministro, mas fez também uma intervenção dura em relação ao executivo socialista, acusando-o de "afugentar os investidores" com uma política de "reversões" face a processos em curso na anterior legislatura, como no domínio da privatização da TAP ou das concessões de transportes públicos.

"O senhor ministro da Economia precisa de ajuda, desde logo do seu Governo. Queremos ajudá-lo, porque o senhor ministro não pode ser o parente pobre do Governo"

Mas Luís Montenegro foi ainda mais longe na separação entre o ministro da Economia e o resto do executivo socialista: "Estamos disponíveis para falar consigo, mas o seu Governo precisa de arrepiar caminho, deixando de aumentar a carga fiscal sobre as empresas e parando de colocar em causa a credibilidade do Estado Português com a sua política de reversões", cita a Lusa.

No mesmo sentido, o deputado do CDS-PP e ex-ministro Pedro Mota Soares criticou o Governo por ter interrompido a descida da carga fiscal sobre as empresas (caso do IRC), aumentando agora os impostos, designadamente o dos combustíveis - estratégia que, na sua perspetiva, colide com os objetivos de recapitalização e desendividamento das pequenas e médias empresas.

Pedro Mota Soares lamentou também que o atual executivo tenha revisto em baixa as projeções para a evolução das exportações nacionais.

PCP contra

Entre as forças de esquerda que suportam o executivo na Assembleia da República, a ideia de "abrangência" política defendida por Caldeira Cabral mereceu alguns reparos e foi mesmo recusada pelo PCP.

Na sequência do convite feito pelo ministro da Economia ao PSD em matéria de recapitalização de empresas, o deputado do PCP Bruno Dias deixou um aviso: "Cuidado com as armadilhas".

"Entre outras medidas, o PSD continua a pretender reduzir a tributação das mais-valias e promover a concentração de grupos económicos à custa de dinheiros públicos. Quem nos pôs neste buraco não nos pode tirar dele"

Tal como o PCP, também o deputado do Bloco de Esquerda Paulino Ascensão defendeu que a resolução da questão do endividamento e da dificuldade de acesso ao financiamento pelas pequenas e médias empresas passa pela existência de uma banca pública forte, designadamente, através da manutenção do Novo Banco na esfera pública