"Não está tudo a correr mal nem está tudo a correr bem" na economia portuguesa. São palavras do ministro da Economia, esta quarta-feira, em resposta aos deputados do PSD e do CDS sobre uma eventual revisão das previsões macroeconómicas.

Perante a insistência do deputado do CDS-PP Pedro Mota Soares, na Comissão de Economia, Inovação e Obras Públicas, Manuel Caldeira Cabral recusou-se "alimentar a discussão", realçando que "os dados do Programa de Estabilidade serão revelados e não cabe a membros do Governo divulgá-los nestas comissões".

"Quando o Governo tiver esses trabalhos encerrados serão apresentados. Não viemos aqui para especular sobre projeções. Esse é um papel para os analistas", atirou, no final de uma audição de mais de quatro horas.

IVA aumenta? "Carga fiscal este ano vai diminuir"

Também sobre a subida do IVA para os 25%, que foi a manchete da edição do Correio da Manhã desta quarta-feira, o ministro da Economia recusou-se "especular sobre a notícia", contrapondo que "a carga fiscal este ano vai diminuir".

"É isso que está previsto no orçamento. E isso é uma inflexão face ao passado, quando a carga fiscal aumentou - e não foi só em 2012 e 2013, mas também no ano passado"

Ainda em resposta ao antigo ministro do Trabalho e da Segurança Social, Caldeira Cabral avisou que "os portugueses sabem o que aconteceu aos seus rendimentos, ao investimento e ao emprego nos últimos anos".

QREN "desorganizado"

O governante enfatizou, por outro lado, e em declarações aos jornalistas, "a impaciência dos deputados da antiga maioria", que culpou pelos atrasos no pagamento do QREN - Quadro de Referência Estratégico.

"É algo que nos preocupa. Encontrámos alguma confusão e desorganização no fecho do QREN. Os processos de encerramento estão muito atrasados", afirmou o governante, adiantando que o executivo está a fechar contas que, em alguns casos, têm quatro anos.

"Existem ainda várias dezenas de milhões de euros por pagar. Esperamos até ao final de maio ou de junho resolver a maior parte desta herança de verbas por pagar".

O ministro da Economia disse ainda aos deputados que o executivo está a tentar alargar o âmbito de atuação da Instituição Financeira de Desenvolvimento (IFD), conhecida como Banco de Fomento, para que possa fazer outro tipo de operações, considerando tratar-se de "um projeto que não foi conseguido".

"Estamos a tentar alargar o âmbito de atuação da IFD para que possa fazer outro tipo de operações. Não é para ser banco mau, mas uma instituição com características grossistas", explicou.