O Ministério Público suspeita que o BESA, a filial angolana do antigo BES, tenha concedido mais milhões de créditos irregulares do que se pensava até agora. Os indícios recolhidos pelo Departamento Central de Investigação e Ação Penal, que são citados pelo jornal digital Observador, terão tido como destinatários políticos e empresários angolanos, entidades relacionadas com o homem que liderava o banco na altura e outras ligadas ao Grupo Espírito Santo.

O BESA terá concedido cerca de 6,8 mil milhões de dólares, à volta de 6 mil milhões de euros ao câmbio atual, de empréstimos duvidosos entre 2009 e 2013.

Até aqui, pensava-se que o valor rondava os 5,7 mil milhões de dólares (cerca de 5 mil milhões de euros), valor que estaria coberto pela garantia soberana do Estado angolano, que acabou por cair, fazendo com que o fundo de resolução tivesse de injetar muito mais dinheiro no Novo Banco.

O dinheiro terá sido destinado a entidades do interesse de Álvaro Sobrinho, que estava à frente do BESA nesse período, outras ligadas a titulares de cargos políticos e públicos de Angola e ainda outras relacionadas com o Grupo Espírito Santo.

A maioria desses empréstimos irregulares terá tido como destinatários precisamente estes dois últimos. 

No total, o DCIAP avalia agora os ditos créditos exatamente em 6.849.845.000 dólares, ou seja, 6.047.302.758 euros.