A greve de cinco dias dos trabalhadores da concessionária da mina de Neves-Corvo, no concelho de Castro Verde, em Beja, começou hoje com “forte adesão”, segundo o sindicato do setor. Já a administração da Somincor, a concessionária diz que “ronda os 17%”

Luís Cavaco, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Mineira (STIM), disse que "a empresa está completamente parada” devido à “paragem das duas lavarias”, a de estanho e a de zinco, ou seja, os equipamentos “onde é tratado o concentrado de cobre, que é aquilo que a empresa vende”. "O mesmo acontece com grande parte dos serviços subterrâneos na mina”.

Os trabalhadores da empresa Somincor, concessionária da mina de Neves-Corvo e pertencente ao grupo sueco-canadiano Lundin Mining, reivindicam o fim do regime de laboração contínua no fundo do complexo mineiro. Reivindicam a "humanização" dos horários de trabalho, já que, disseram à TVI, chegam a trabalhar 17 dias seguidos e só depois folgam.

Os mineiros querem também a antecipação da idade da reforma, a progressão nas carreiras e a revogação das alterações unilaterais na política de prémios e o "fim da pressão e da repressão sobre os trabalhadores".

A Somincor tem um primeiro balanço bem diferente, falando, em comunicado, numa adesão de apenas 17%, e diz que acompanha “de perto” a paralisação.

A Somincor está a acompanhar de perto a greve proposta pelo Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Mineira (STIM), que se iniciou hoje pelas 06:00. De acordo com os dados apurados até ao momento, a adesão a esta greve ronda os 17%”.

A realização da greve de hoje, que se prolonga até sábado, foi decidida, em setembro, num plenário geral de trabalhadores.

No plenário, e segundo a Lusa, os trabalhadores decidiram fazer mais cinco dias de greve em novembro e outros cinco em dezembro, em datas ainda a definir, caso as repostas da administração da Somincor "continuem a não ser favoráveis", referiu o STIM, em comunicado.

"A proposta da administração contempla um horário diário de 10 horas e 42 minutos no fundo da mina, onde os trabalhadores estão sujeitos a uma atividade extremamente penosa, sendo que, alguns trabalham a mais de mil metros de profundidade e em condições de ainda maior penosidade", referiu o STIM.

Já os trabalhadores das lavarias "trabalham em regime de laboração contínua (a maioria há décadas) e estão sujeitos também a uma atividade de elevada penosidade, mas têm direitos inferiores aos trabalhadores do fundo da mina". E "a pressão e a repressão exercidas sobre os trabalhadores são factos graves e têm vindo a intensificar-se".