Representantes dos mineiros foram esta quarta-feira ao parlamento e ao Ministério da Segurança Social reivindicar a aplicação do regime de exceção que permite a reforma dos trabalhadores com mais de 50 anos e 30 anos de trabalho no fundo da mina.

«Só queremos que a lei seja cumprida e que os mineiros possam continuar a reformar-se a partir dos 50 anos, com 30 anos de trabalho no fundo da mina, como acontecia até ao início deste ano», disse à agência Lusa o secretário coordenador do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Mineira, Jacinto Anacleto.

O sindicalista referiu que em fevereiro um mineiro pediu a reforma, ao abrigo do regime de exceção aplicado à profissão «por motivo da natureza especialmente penosa ou desgastante da atividade profissional», mas o pedido foi indeferido.

Entretanto, outros três pedidos de reforma de mineiros, nas mesmas condições, foram indeferidos com o argumento de que a idade de reforma passou dos 65 para os 66 anos, por isso os mineiros também teriam de trabalhara mais um ano para alcançarem a reforma.

Jacinto Anacleto admite que possam existir outros casos de indeferimento relativos a mineiros não sindicalizados.

«Tendo em conta a média de idades dos trabalhadores, e a sua antiguidade nas minas, prevemos que sejam apresentados mais pedidos de reforma este ano e no próximo», disse.

Segundo o sindicalista, «é muito difícil para um mineiro com mais de 30 anos de mina, continuar a trabalhar, porque as condições de trabalho são muito duras».

Referiu, como exemplo, que os mineiros trabalham a cerca de um quilómetro de profundidade, com temperaturas elevadíssimas e ventilação deficiente, durante sete horas e meia.

«Até a pausa de meia hora para a refeição é feita no fundo da mina», explicou, acrescentando que «é por isso que os mineiros se reformam mais cedo, porque é uma profissão de desgaste rápido».

Jacinto Anacleto liderou a delegação do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Mineira que se deslocou a Lisboa para «exigir a reposição da legalidade no que se refere ao acesso à pensão de velhice».

Durante a manhã os sindicalistas reuniram-se com os vários grupos parlamentares, exceto o PSD, que prometeram interceder junto do governo para que a situação seja resolvida.

Ao inicio da tarde foram recebidos pelo chefe de gabinete do ministro da Solidariedade, Emprego e Segurança Social, que está em viagem oficial ao estrangeiro, a quem expuseram a sua reivindicação.