Haverá mais uma greve dos trabalhadores da concessionária da mina de Neves-Corvo, no Alentejo, ainda neste mês de março. Será entre os dias 26 e 30. Foi convocada porque, dizem, a empresa "não quer negociar".

A administração da empresa Somincor, a concessionária da mina situada no concelho de Castro Verde, no distrito de Beja, "mantém-se irredutível, só quer fazer vingar as suas propostas e não aceita as dos trabalhadores e não quer negociar", disse à Lusa o dirigente do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Mineira (STIM) Jacinto Anacleto.

E para agravar a situação, a administração da Somincor, que lida mal com a democracia, afastou quatro encarregados gerais das lavarias da mina por terem usado do direito à greve, que está consagrado na Constituição da República. Uma atitude antidemocrática, inadmissível e inaceitável".

Por isso, explicou, os trabalhadores da Somincor, em plenário, "decidiram, por unanimidade, avançar para mais uma greve", a primeira deste ano e a quarta desde outubro de 2017.

A greve vai decorrer em dois períodos intercalados, o primeiro entre as 05:00 de dia 26 e as 06:00 de dia 27 e o segundo entre as 05:00 de dia 28 e as 06:00 de dia 30, precisou.

Segundo o sindicalista, o plenário realizou-se depois de terem resultado "em nada" várias reuniões entre o STIM, a administração da Somincor e membros do Governo, que decorreram na últimas semanas para tentar resolver o conflito laboral na empresa.

O STIM e os trabalhadores esperavam que das reuniões saíssem propostas e soluções que fossem ao encontro das suas reivindicações e pudessem por fim ao conflito laboral. Por isso é que tinham suspendido a greve que haviam marcado para os dias 5, 7 e 9 deste mês.

Empresa tem outra versão

Contactada pela Lusa, a administração da Somincor "lamenta que o STIM tenha convocado nova greve" e refere que "sempre se mostrou disponível para negociar, tendo apresentado um conjunto de propostas que mereceram a aceitação da maioria dos colaboradores".

O STIM mantém uma posição intransigente sem ter em conta a competitividade e a sustentabilidade da empresa no longo prazo e pondo em causa o interesse dos trabalhadores, da região e do país".

Em reação à acusação do STIM relativa ao alegado afastamento de quatro encarregados gerais das lavarias da mina por terem usado o direito à greve, a empresa afirma que "cumpre rigorosamente todos os requisitos da legislação laboral, tendo conhecimento e não questionando qualquer direito dos seus trabalhadores".

A Somicnor refere que "permanece atenta às necessidades dos seus trabalhadores e procurará sempre, através do diálogo positivo que deseja manter, chegar a um acordo entre as partes com vista à normalização das relações de trabalho".

O fim do regime de laboração contínua no fundo da mina, "humanização" dos horários de trabalho, antecipação da idade da reforma para os funcionários das lavarias, progressão nas carreiras, revogação das alterações unilaterais na política de prémios e "fim da pressão e da repressão" são as principais reivindicações dos trabalhadores.

Devido ao atual conflito laboral, os trabalhadores da Somincor já fizeram três greves, entre outubro e dezembro de 2017, as quais provocaram paragens na extração e na produção de minério na mina de Neves-Corvo.