O presidente do Conselho de Administração do Millennium Bim vislumbra «um infinito de oportunidades» em Moçambique, apesar da baixa inclusão financeira de um país com 25 milhões de habitantes e apenas 2,4 milhões de contas bancárias.

«São 20 anos e, no horizonte, vislumbramos um infinito de oportunidades», disse esta terça-feira, em Maputo, Mário Machungo, em conferência de imprensa por ocasião do lançamento das comemorações de duas décadas da fundação do banco líder em Moçambique.

«A parceria celebrada entre o Estado moçambicano e o Millennium BCP, o maior grupo bancário privado português, tem sido exemplar na criação de valor para a economia e para o desenvolvimento do país», declarou o presidente do Conselho de Administração da empresa.

Para o gestor e ex-primeiro-ministro moçambicano, «a história moderna da banca em Moçambique está marcada por duas fases: antes do Millennium Bim e depois do Millennium Bim», que prepara uma série ações de responsabilidade social e de eventos culturais, desportivos e de debate sobre o setor bancário e a economia do país, no âmbito das celebrações dos 20 anos da instituição, associadas a uma nova imagem a ser usada ao longo do ano.

Os resultados do Millennium Bim representavam em 2013 quase dois terços do total da banca em Moçambique, segundo o presidente do conselho de gerência, Manuel Marecos Duarte, que se escusou a avançar dados relativos ao último ano, alegando que as contas ainda serão submetidas à assembleia-geral, nos próximos dias.

«O Bim sozinho cria mais riqueza do que todos os outros bancos juntos e isto é absolutamente definitivo», declarou o presidente do conselho de gerência, acrescentando que a sua empresa detém uma quota de mercado de 29% e 40% dos capitais próprios do total dos 18 bancos que constituem o sistema bancário moçambicano.

«Os capitais próprios do Millennium Bim são equivalentes aos do segundo, terceiro, quarto e quinto banco», afirmou o presidente do conselho de gerência, recordando que se trata da única instituição bancária moçambicana na lista das cem maiores do continente africano.

Marecos Duarte defendeu que o maior desafio que se coloca ao sistema financeiro em Moçambique é a bancarização de uma população de mais de 25 milhões de habitantes, mas apenas com 2,4 milhões de contas bancárias.

«Há um grande caminho a percorrer" em relação à inclusão financeira da população, numa questão "absolutamente essencial para o desenvolvimento económico e social do país», considerou.

Os dados da utilização do mobile banking são, porém, mais estimulantes, quando 13 milhões de moçambicanos recorrem a esta plataforma do Millennium BIM, num total de 35 milhões de operações anuais, «mais do que todo o sistema bancário português», segundo Marecos Duarte, que prevê o aumento do peso da Internet nas operações, à medida que a rede se expande pelo país.

«Os bancos no futuro, sobretudo neste continente, são algo entre um banco físico e uma plataforma digital», assinalou.

O presidente do conselho de gerência do Millennium Bim disse que as taxas de juro praticadas pela banca em Moçambique têm vindo a descer, apesar das queixas generalizadas de que são inacessíveis a grande parte da população e muito acima dos valores de referência do banco central.

«As taxas de juro ativas [créditos] têm vindo a baixar, o que não acontece ao mesmo ritmo e em paralelo com as passivas [depósitos]», justificou Marecos Duarte, alertando também para os riscos que se colocam à economia moçambicana, em resultado da apreciação do dólar face às principais moedas e com «reflexos muito grandes» em Moçambique, um país que importa mais do que exporta.

Detido maioritariamente pelo português Millennium BCP e com uma participação direta do Estado moçambicano, o Millennium Bim é o banco líder de mercado em Moçambique, com uma rede de 166 balcões e 2.500 colaboradores e uma carteira de 1,3 milhões de clientes.