O presidente-executivo do BCP, Nuno Amado, afirmou esta quinta-feira que a fusão entre os bancos Millennium Angola e Antlântico deverá estar concluída dentro de dias e permitirá ao banco antecipar a devolução da ajuda do Estado.

Logo que a fusão esteja completada, e eu acho que ela está iminente, mas ainda não terminou. Esperemos que seja nos próximos dias, mas logo que terminar faremos um pedido para uma primeira autorização para pagamento de uma parte dos 'CoCos' [Contingent Convertible Bonds]", disse Nuno Amado no final da assembleia-geral de acionistas, que decorreu em Oeiras.

Há precisamente uma semana, o Banco Nacional de Angola (BNA) e o Governo angolano autorizaram a constituição do novo Banco Millennium Atlântico, informou nesse dia à Lusa, em Luanda, fonte ligada à fusão, que dará lugar a um dos maiores bancos nacionais.

A operação de fusão entre o Banco Millennium Angola (BMA) e o Banco Privado Atlântico (BPA) foi anunciada pelas duas instituições a 08 de outubro de 2015, devendo o novo banco ser cotado numa bolsa africana no espaço de três anos, conforme divulgado na altura.

Esta operação permitirá ao BCP antecipar a devolução de dinheiro estatal, recebido em 2012.

Atualmente, o BCP tem de devolver 750 milhões, dos três mil milhões de euros recebidos em 2012.

Questionado sobre se teme retaliações de Angola contra os bancos portugueses devido à situação do BPI, Nuno Amado, considerou que "não é uma solução fácil", mas disse esperar que "prevaleça o bom senso" na resolução do caso BPI.

"Em Angola, nós temos uma operação que penso que é interessante para o BCP, para os nossos parceiros angolanos e para a economia angolana e é nisso que estamos focados", rematou.