Segundo disse Miguel Poisson à Lusa, o número de créditos à habitação já apresentou um crescimento em 2014, de 15% em relação ao ano anterior, o que permitiu um aumento das transações de imóveis. Do total das transações realizadas de janeiro a dezembro, 16 mil transações foram vendas e 2 mil transações arrendamentos.

 

«Nós estimamos que o crescimento para 2015 possa ser o dobro daquele que foi em 2014», afirmou o diretor-geral, que notou também a crescente preferência por investimentos imobiliários em vez de financeiros.

Miguel Poisson referiu o «aumento claro» de investidores que, devido aos juros muito baixos da banca, conseguem uma rentabilidade «quatro ou cinco vezes superior» quando compram imóveis e depois os arrendam.

 

Para a recuperação do mercado imobiliário foi necessário o aumento de investidores internacionais (20%), com destaque para os reformados franceses e ingleses, uma vez que o peso das transações no âmbito dos «golden visa» é, no caso da Era, «residual» e concentrado em Lisboa e na linha do Estoril.

 

«Dos milhares e milhares de reformados da União Europeia a investir na aquisição de imóveis», referiu o responsável da Era, «50% estão a preferir o Algarve, enquanto 25% se fixam em Lisboa e no Estoril. Os restantes 25% estão um pouco por todo o lado, incluindo Porto, Coimbra e Oeste».

Outro investimento que se destacou em 2014 foi a compra de imóveis na periferia das grandes cidades, onde os preços chegaram a baixar entre 25 e 30% nos últimos três ou quatro anos, referiu Miguel Poisson.

 

Com os preços a «baterem no fundo no último trimestre de 2014», já há investidores a «perceber que este talvez seja o melhor momento dos últimos 15 anos para investir no imobiliário», disse o dirigente da ERA.

 

Mas o cenário não se vai manter sempre, avisou, lembrando que a maior concessão de crédito para compra de habitação levará a uma maior procura e, consequentemente, a uma correção ascendente dos preços. O aumento da procura terá ainda outra consequência, levando a um crescimento das novas construções.

 

Para o dirigente da imobiliária ERA, se o final de 2014 mostrou uma recuperação no mercado de retalho e nos pequenos imóveis, o «ano de 2015 marcará, provavelmente, o início de uma recuperação nas novas construções, sobretudo em zonas onde se começa a sentir uma procura mais forte».

 

Segundo o responsável, as grandes cidades e o Algarve são «zonas que pelo aumento da procura, esgotaram o stock existente no mercado».

«Há zonas em Portugal, no Algarve, e em Lisboa, onde se começa a sentir a falta de apartamentos novos e, devido a essa procura, muitos investidores e construtores estão a voltar a olhar para o mercado e a investir», concluiu.

A faturação da imobiliária cresceu 29% no ano passado, em relação com 2013, o que corresponde a 18 mil transações, das quais 75% são vendas, com a superação da «fasquia dos mil milhões de euros em volume de vendas».

 

Este foi o «melhor ano de sempre, em termos de faturação média por loja», assegurou o responsável.

 

Os distritos que apresentaram maior volume de faturação foram Lisboa (38%), Porto (18%) e Faro (11%). Em termos de crescimento, o distrito da Guarda foi o que registou o maior crescimento face ao período homólogo (67%). Seguiram-se Lisboa (57%) e Funchal (54%).