O presidente da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) considerou esta terça-feira que as empresas portuguesas devem procurar uma diversificação maior nos mercados da lusofonia, onde o maior parceiro comercial de Portugal é Angola.

«As empresas portuguesas têm mostrado que são muito resilientes, competitivas e que conseguem ultrapassar as adversidades, sejam quais forem as circunstâncias», disse Miguel Frasquilho, quando questionado sobre o impacto da nova pauta aduaneira de Angola nas exportações portuguesas para aquele país, à margem da Conferência Internacionalização da Economia, que decorre hoje e quarta-feira em Lisboa.

«Continuam a existir todas as condições para que as relações comerciais de Portugal com Angola e com os outros países da CPLP possam desenvolver-se; no caso de Angola, porque tem uma expressão maior, a situação deve ser acompanhada com atenção, mas se conseguirmos desenvolver as relações comerciais com outros países da CPLP, ficamos com uma diversificação maior, que é saudável e positiva para todos», disse o presidente da AICEP.

Angola é o principal parceiro comercial de Portugal entre os países da CPLP, representando 4,5 mil milhões de euros de um total de 7,2 mil milhões de euros exportados para os países que falam português.

Em sentido inverso, Angola exporta para Portugal 2,7 mil milhões de euros, dos 4,1 mil milhões de euros de bens e serviços comprados pelas empresas portuguesas aos seus parceiros lusófonos.

Sobre as trocas comerciais entre Portugal e a CPLP, Miguel Frasquilho disse que «apesar do dinamismo muito forte dos últimos anos, a base continua a ser muito baixa», e por isso defendeu que «há um potencial que pode ser trabalhado para aproveitar melhor as facilidades históricas e culturais e a facilidade de falar a mesma língua».

A crise económica e financeira dos últimos anos em Portugal é «uma oportunidade, e não uma fatalidade», defendeu o economista, concluindo que «as empresas portuguesas perceberam que o mercado interno é naturalmente limitador, é pequeno, e portanto a única possibilidade de expansão era a internacionalização».