O presidente da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal disse em entrevista à Lusa que conta com mais de 2.000 milhões de euros de intenções de investimento para os próximos dois a três anos.

O anterior presidente da instituição tinha anunciado um pipeline de cerca de 1.500 milhões de euros.

Miguel Frasquilho, que assumiu a presidência da AICEP em abril de 2014, diz que há «em carteira intenções de investimento [estrangeiro] na ordem dos milhares de milhões de euros para os próximos dois a três anos».

Isso «é muito positivo para o nosso país», acrescentou o responsável, escusando-se a entrar em pormenores.
Questionado sobre se o montante é acima dos 2.000 milhões de euros, Miguel Frasquilho disse que «talvez um pouco acima».

Segundo o presidente da AICEP, 2014 «já foi positivo em termos de investimento e o próprio Banco de Portugal estima para 2015 um crescimento do investimento superior a 4% em termos reais, do qual uma parcela será certamente de investimento direto estrangeiro».

Esta «é uma subida de registar, mas há muitos anos, certamente, que não se verificaria uma evolução tão positiva do investimento», considerou.

Em relação ao orçamento da AICEP, quando questionado se este aumentou, Miguel Frasquilho lembrou que a instituição, tal «como todas as outras entidades tem as suas dificuldades e limites», mas «foi possível apresentar o plano estratégico para o qual há uma verba que está alocada».

Frasquilho escusou-se a especificar o aumento, apenas referindo que «o bolo global aumenta um pouco, mas não é significativo, de 2014 para 2015».

Sobre se o aumento é inferior a dois dígitos, o presidente da AICEP respondeu que «sim, claramente».

Questionado se 2015 poderá ser o ano da captação de investimento, Miguel Frasquilho afirmou: «Espero que sim, certamente».

O presidente da AICEP adiantou que pelas indicações que tem «é um ano em que o investimento terá um comportamento muito positivo».

A AICEP, em conjunto com o Governo, irão estar «muito ativos nomeadamente na captação de investimento direto estrangeiro e iremos ter um ano muito intenso na promoção do país no exterior com resultados que serão, espero eu, visíveis a curto prazo», acrescentou.

Relativamente aos contactos com os investidores estrangeiros, Miguel Frasquilho disse não ter sentido nas missões que tem realizado um «menor entusiasmo», mas fazem perguntas sobre o país.

Questionado se os investidores perguntam sobre os casos de justiça em Portugal, Miguel Frasquilho deu como exemplo «o caso que aconteceu no setor financeiro», aludindo ao Banco Espírito Santo, explicando que «fazem perguntas porque têm curiosidade, mas depois percebem que os números da realidade económica e da recuperação do país não têm, pelo menos para já, sido afetados por esses casos».

No caso do BES «chegou-se a temer que tivesse, no verão, um impacto sobre o nosso tecido empresarial, sobre a nossa economia, dada a preponderância no mundo empresarial, até agora não se confirmou, pelo menos não entrámos em território negativo e isso já é positivo nesta altura».

Em termos de exportações, Miguel Frasquilho disse esperar que 2014 feche em linha ou até um pouco acima das estimativas de instituições como o Banco de Portugal, Comissão Europeia ou Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico.