Estar desempregado ou ter poucos recursos financeiros é, em regra, motivo de exclusão das nossas sociedades. Mas esta circunstância não pode ser a regra, e por isso hoje comemora-se o Dia Europeu da Microfinança. Em Portugal, o microcrédito já é razoavelmente conhecido, mas menos familiar é o conceito de microfinança. Esta é, no entanto, na grande maioria dos países e instituições europeias, a designação mais corrente.

Em alguns países, à medida que o movimento do microcrédito ganhou relevância, tomou-se consciência de que as iniciativas e empresas apoiadas, ao crescerem, precisavam, também, de recorrer a outros produtos financeiros: seguros, garantias, cartões de crédito, aplicações de poupanças, bolsas de estudo, etc. José Centeio, secretário-geral da Associação Nacional de Direito ao Crédito, esteve np espaço da Economoa24 do "Diário da Manhã" da TVI.

Afinal o que é isto da Microfinança?

São produtos financeiros para pessoas que estão excluídas, seja destes proutos, seja do ponto de vista social, devido, por exemplo, à exclusão do mercado de trabalho.

Há muita exclusão?

Sim. E por isso, também a necessidade de um Dia Europeu da Microfinança. Na Europa a, sociedades excluem, com o aumento do fosso entre os que mais e menos têm. Há muita gente desempregada de longa duração e 92% das empresas na Europa têm menos de 10 trabalhadores.

Em Portugal quem são os vossos destinatários?

São desempregados. Ou pessoas que têm trabalhos precários e estão numa situação em que o contrato vai terminar. Pessoas em situação de grande vulnerabilidade, que até podem ter uma ideia para um negócio mas nunca lhes será dado crédito bancário.

O que oferece a Associação Nacional do Direito do Crédito?

Oferecemos um serviço integrado. As pessoas muitas vezes têm a ideia, mas precisam de apoio no desenvolvimento da ideia para que, eventualmente, possa ser transformada num negócio.

Como podemos entrar em contacto com a Associação?

Podem ir ao site microcrédito.com.pt,onde há uma ficha de candidatura que podem preencher e, no máximo, no prazo de dois dias receberão um telefonema. Ou liga o: 808202922

Se o projeto for viável consigo crédito?

O banco terá sempre a última palavra, mas, por norma, conseguimos. Temos casos de um grande salto de vida.

Após o lançamento a Associação acompanha os projectos?

Sim.

Quanto custa?

Até há pouco tempo era gratuito, porque tínhamos um acordo com o Instituo do Emprego Formação Profissional (IEFP), atualmente há uma comparticipação nos custos se o projeto for aceite. E o custo é integrado no próprio projeto.

E no caso dos particulares. Necessidades de crédito, por exemplo para educação?

Não. É preciso frisar que, mesmo no caso dos projetos empresariais a Associação não empresta diretamente mas têm protocolos com bancos – limitamo-nos ao microcrédito para pequenos negócios. Na Europa, a Microfinança está mais desenvolvida e à outro tipo de abordagem no que respeita ao microcrédito. Em Portugal estamos longe disso.