Despesas urgentes levam portugueses a viver em Londres a pedir empréstimos de pequenos montantes a taxas de juro elevadas, incluindo o microcrédito, afirmam dois conselheiros financeiros lusos.

Patrick Fernandes e Rodolfo Ribeiro encontraram clientes compatriotas enquanto trabalharam na Oakam, empresa de «payday loan» cujas taxas podem ultrapassar os 600% Taxa Anual Efetiva Global (TAEG), e na sociedade de microcrédito Fair Finance, onde se encontram atualmente.

A maioria, descreveram à agência Lusa, são portugueses em empregos pouco qualificados, como limpezas, que não conseguem crédito junto dos bancos e que pedem dinheiro para pagar férias, para enviar para a família ou pagar hipotecas em Portugal ou para adquirir outro tipo de bens, como escreve a Lusa.

Os portugueses até «são bons pagadores», garantem, mas Patrick e Rodolfo saturaram-se da filosofia da indústria do «payday loan», que obriga os funcionários a pressionarem os clientes para aumentarem os montantes de crédito, obtendo assim mais lucros.

«Quando fazia um top up [adicionar mais dinheiro ao montante adicional], sentia-me culpado. As pessoas pediam dinheiro porque precisavam e depois acabavam por ficar ainda mais endividadas», afirmou Patrick à Lusa.

A Rede Europeia da Microfinança realiza a sua connferência anual em Lisboa na quinta e sexta-feira. A escolha do local para a Conferência Anual da organização quis refletir, «as especificidades» do país, onde a crise económico-financeira fez subir a taxa de desemprego jovem para o topo das mais altas da Europa, apenas atrás de Espanha e Grécia, segundo Faisel Rahman, presidente da rede.