O ministro da Economia considerou esta quinta-feira que a subconcessão do Metropolitano e da Carris vai assegurar "um serviço mais regular e previsível" para os utentes, apesar da contestação sindical, dos trabalhadores e da Câmara de Lisboa.

"O direito à greve mantém-se, mas a verdade é que na gestão da concessão a privados há uma muito menor conflitualidade social, uma maior paz social", afirmou António Pires de Lima, durante uma visita ao Museu da Carris.

Segundo o governante, além "das poupanças de custos importantes" e da modernização da frota do transportador rodoviário, "as pessoas que utilizam o Metro e a Carris vão poder, com a concessão destes transportes a privados, contar com um serviço mais regular e previsível".

O contrato de subconcessão das duas empresas de transportes públicos de Lisboa, por oito anos, foi assinado na quarta-feira, à porta fechada, entre o Governo e o grupo espanhol Avanza.

O grupo privado compromete-se a investir na renovação da frota da Carris e a não aumentar o preço dos bilhetes do serviço rodoviário e do metropolitano além da inflação.

O ministro da Economia assumiu que a subconcessão beneficiou de uma "melhoria operacional", que se irá traduzir num "benefício de 215 milhões de euros" ao longo do período de gestão privada.

A Câmara de Lisboa recorreu aos tribunais para ser reconhecida como entidade detentora da concessão, em vez do Estado, mas Pires de Lima não receia que o processo possa ser travado, argumentando que a autarquia "teve oportunidade de concorrer a este concurso".

"O Governo orientou as suas escolhas pelo interesse dos utilizadores da Carris e do metro, dos cidadãos que todos os dias precisam destes serviços, e também pelo interesse dos contribuintes, por isso é que é importante assegurarmos esta poupança de 215 milhões de euros", frisou.

O ministro, que visitou o Museu da Carris com o secretário de Estado dos Transportes, Sérgio Monteiro, recusou as críticas da oposição, acreditando que um investidor privado pode "introduzir regras de eficiência de gestão e de motivação de gestão dos recursos humanos que muitas vezes são mais difíceis de efetuar na administração pública".

"Não precisamos de inventar papões em Portugal. Em todos os lados do mundo, inclusive em Portugal, em autarquias que são dirigidas pelo Partido Socialista, pelo partido comunista ou até, pasme-se, pelo Bloco de Esquerda, há exemplos de transportes públicos que são geridos, e muito bem, por privados", vincou o governante.

Os sindicatos do Metro e da Carris têm protestado contra as subconcessões de ambas as empresas e realizaram na quarta-feira mais uma manifestação de protesto.

Paulo Gonçalves, da Comissão de Trabalhadores da Carris, explicou à Lusa que já foi enviado ao Tribunal de Contas documentação que "prova que este contrato é ruinoso para o Estado".

Os trabalhadores do Metro e da Carris salientaram que o PS, PCP e Bloco de Esquerda se comprometeram a reverter o processo de subconcessão das empresas, caso exerçam funções governativas a partir de 04 de outubro.

Em relação ao TdC, o ministro assegurou que o Governo está seguro do trabalho desenvolvido e está "tranquilo" na forma como "encara estes processos pelas entidades reguladoras".