O grupo espanhol foi a escolha do executivo para a subconcessão do Metro de Lisboa e da Carris. A poupança para o Estado será superior a 25 milhões de euros anuais, num total superior a 215 milhões ao fim dos oito anos que vai durar a concessão.

Para Sérgio Monteiro, Secretário de Estados dos Transportes, o serviço de transporte de passageiros vai ficar melhor. O governante exclui a hipótese de aumentos nos preços para além da inflação, garantindo que "o caderno de encargos proíbe qualquer aumentos dos bilhetes extraordinário".

A Avanza revela os valores do contrato. Serão no total 1.075 milhões de euros, com 625 milhões destinados à Carris e os restantes 450 milhões de euros para o Metro de Lisboa. Luís Fernando Lozano, presidente do Grupo ADO a que pertence a Avanza, considera que "este concurso é o resultado de muitos meses de trabalho e esforço das pessoas que fazem a empresa".

A Transportes de Lisboa tinha recebido  cinco propostas de interessados  na subconcessão da Carris e do Metropolitano de Lisboa. Três das propostas apresentadas eram para a gestão, em simultâneo, das duas empresas.

O negócio avança num clima de contestação por parte dos trabalhadores, num ano recorde de greves dos funcionários do Metro de Lisboa. Mas Sérgio Monteiro desvaloriza: "As greves têm muito mais de política do que fins laborais. Quando passarem as razões políticas esperamos estabilidade laboral". 


Já a  Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (FECTRANS) alerta que o grupo Avanza tem questões laborais "muito complicadas" em Portugal. O grupo espanhol gere os transportes urbanos da Covilhã desde 2009 através da empresa Covibus. Os trabalhadores fizeram uma greve de 48 horas no início deste mês para reivindicarem aumentos salariais.

O Governo pretende manter os prazos estabelecidos para o negócio. Os contratos para as duas subconcessões deverão estar assinados a partir de 15 de julho.

O concurso foi anunciado em março. A 5 de maio, a Câmara Municipal de Lisboa informou que o Tribunal Administrativo de Lisboa  aceitou as providências cautelares interpostas pelo município contra a subconcessão das duas empresas públicas, suspendendo os concursos.  

Num comunicado divulgado no mesmo dia, o gabinete do secretário de Estados das Infraestruturas, Transportes e Comunicações anunciou que a Carris e o Metropolitano entregaram no Tribunal Administrativo uma “resolução fundamentada” no interesse público que travou a suspensão dos concursos.